Prolapso genital

Prolapso genital

1 – O que é um prolapso genital?

Prolapso é um termo genérico que significa a descida/queda total ou parcial de um órgão em específico. Por exemplo, quando temos uma queda da válvula mitral do coração isso é chamado de prolapso de válvula mitral.

Laparotomia, prolapso genital

Quando aplicamos o termo “genital” estamos nos referindo a uma queda ou deiscência de um órgão genital através da vagina. Os quatro órgãos que mais comumente “caem” pela vagina são a bexiga, reto, útero e a cúpula vaginal.

O útero é um dos órgãos mais comuns no prolapso pélvico.

O prolapso genital é muito semelhante a mais conhecida hérnia umbilical. Não é uma doença em si, mas sim uma fraqueza da parede abdominal que permite que um órgão saia de seu lugar para outro. O prolapso genital é um defeito que em muitos casos merece tratamento cirúrgico.

Prolapso genital
Assim como a hérnia é um “conteúdo que sai para fora”, o prolapso genital é conteúdo dessa região que “sai para fora.”

2 – Fatores de risco

O prolapso genital é uma condição extremamente comum e que vai afetar cerca de 25- % das mulheres, sendo a grande maioria dessa incidência em pacientes acima dos 60 anos. Cerca de metade dessas mulheres irá precisar de um procedimento cirúrgico para correção desse defeito.

Videolaparoscopia, Prolapso genital

O principal fator de risco para os prolapsos genitais é a quantidade filhos que a mulher teve. São fatores de risco a idade acima de 60 anos, multiparidade, pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), constipação, síndrome de Ehlers-Danlos e síndrome de Marfan.

Prolapso genital
O principal e mais importante fator de risco é a quantidade de filhos que a mulher teve, tanto parto normal quanto cesariana aumentam esse risco.

 

A obesidade e a retirada do útero (histerectomia) são outros importantes fatores, podendo elevar o risco de prolapsos em até 40% a 50%. Outro fator importante é o familiar, com aumento do risco em cerca de 2.5x.

3 – Sinais e sintomas

O primeiro sintoma que a mulher costuma sentir é literalmente a sensação de algo descendo” ou “puxando para baixo”. No geral a sensação é indolor e a mulher não delega muita atenção ao fato.

Porém a tendência dos prolapsos é evoluir e em determinado momento ultrapassar o canal vaginal aparecendo na saída da vagina. É quando a paciente percebe o sintoma de “bola-na-vagina” e no geral procura assistência.

Prolapso genital

No exame físico o médico irá avaliar as queixas e sintomas e examinar a pacientes em diferentes posições e fazendo manobra de valsalva para o preciso diagnóstico dos sítios de defeito.

4 – Tratamento

O tratamento definitivo dos prolapsos é sempre cirúrgico, sendo essa uma cirurgia minimamente invasiva e com recuperação otimizada com a paciente no geral tendo alta no mesmo dia e retorno precoce às atividades.  Porém é requisitado um período médio de 6-8 semanas de repouso onde a paciente deve evitar atividades físicas que envolvam muito esforço como corrida ou academia.

Laparotomia e Câncer do Colo Uterino, Prolapso genital

A fisioterapia pélvica pode ajudar nos sintomas e o uso de pessários é uma boa alternativa para as pacientes que não desejam operar ou não tem condições clínicas para tal.

Prolapso genital
A fisioterapia pélvica dispõe de vários dispositivos que visam estimular e exercitar a musculatura pélvica.

Por fim, é importante orientar que os prolapsos podem acontecer somente em um órgão isolado ou conter mais de um órgão no defeito. Isso modifica toda a abordagem do tratamento clínico ou cirúrgico.

5 – Cistocele, a bexiga arriada

A cistocele é um defeito anterior onde ocorre a queda da bexiga, a popularmente conhecida “bexiga-arriada”. A cistocele não necessariamente está relacionada a incontinência urinária e os mecanismos de ambas patologias são distintas. Essa é uma confusão muito comum!

Prolapso genital
Na cistocele temos uma fraqueza na parede anterior da vagina que permite que a bexiga desça e gere uma “bola-na-vagina”.

A correção da cistocele é um procedimento de simples execução, demorando cerca de 30 minutos e com a paciente tendo alta sem sonda cerca de 4 horas após o procedimento. A correção da cistocele é feita sempre pela via vaginal.

Eventualmente a correção da cistocele pode melhorar a incontinência urinária, porém nos casos de IUE verdadeira, a tendência é o retorno dos sintomas após 2 anos. Por esse motivo devemos entender bem a incontinência e realizar procedimentos específicos para essa condição. Confira mais sobre nessa parte específica do site (incluir o link da seção de incontinência).

6 – Retocele, o prolapso que atrapalha na evacuação.

A retocele é um defeito posterior na vagina onde ocorre o abaulamento do reto.

Prolapso genital
O Defeito vem da parede posterior e o abaulamento presente é o do reto, parte final do intestino.

Seus primeiros sintomas são inespecíficos e quando a paciente sente a saída do prolapso e a “bola-na-vagina” é muito difícil para o leigo identificar se o prolapso vem da parte anterior (bexiga) ou da parte posterior (reto). Essa é uma diferenciação difícil até para médicos cirurgiões que não são especialistas em prolapsos.

Cirurgia Vaginal e Câncer do Colo Uterino, Prolapso genital

A correção da cistocele é um procedimento de simples execução, demorando cerca de 30 minutos e com a paciente tendo alta sem sonda cerca de 4 horas após o procedimento. A correção da retocele é feita sempre pela via vaginal.

7 – Prolapso uterino, o mais sintomático.

O prolapso uterino significa que nesse contexto é o próprio útero que está descendo. No geral é o prolapso mais sintomático, uma vez que é capaz de gerar maiores volumes. Também é importante descrever que é muito comum a associação do prolapso uterino com a cistocele e outros defeito.

Prolapso genital

A cirurgia consiste na retirada útero prolapsado, das trompas e eventualmente dos ovários a depende da avaliação do caso. A cirurgia é preferencialmente feita por via vaginal, por ser uma via menos invasiva e permitir uma reconstrução adequada do assoalho pélvico.

 

Aqui é importante salientar a importante do correto entendimento desse defeito, uma vez que a simples retirada do útero não resolve adequadamente o problema. A reconstrução das zonas de defeito do assoalho pélvico demanda importante conhecimento anatômico e é absolutamente necessária afim de evitar recidivas do defeito.

8 – Prolapso de cúpula, aquele que acontece após a retirada do útero.

Quando realizamos uma histerectomia, permanece o fundo do canal vaginal que chamamos de cúpula. Quando essa cúpula tem sua queda, temos o prolapso de cúpula, um defeito muito comum em pacientes que tiveram > 2 partos vaginais e já executaram a retirada do útero.

Prolapso genital
Correcção de prolapso de cúpula com tela via laparoscópica.

A cirurgia padrão outro para a correção do prolapso de cúpula é por via laparoscópica, mas sendo uma cirurgia mais extensa e mais trabalhosa que pode não ter um custo x  benefício interessante em pacientes mais idosas.

Videolaparoscopia e Cisto Ovariano e Câncer do Colo Uterino, Prolapso genital

A cirurgia também pode ser feita por via vaginal, sendo essa via menos invasiva e tendo uma recuperação precoce e retorno as atividades. Essa cirurgia pode ser feita pela fixação da cúpula vaginal nos ligamentos sacro espinhosos ou colocação de um sling vaginal.

9 – O papel da fisioterapia pélvica.

A fisioterapia pélvica é fundamental no manejo das pacientes com incontinências e prolapsos pélvicos. Especialmente nas pacientes com prolapsos iniciais (Graus I e II), a fisioterapia pélvica pode ser o tratamento principal reduzindo ou impedindo a progressão dos prolapsos e evitando que a paciente passe por uma cirurgia. Além disso, ao melhorar a musculatura pélvica, a fisioterapia também tem o potencial de melhorar a incontinência urinária.

Prolapso genital
Os exercícios pélvicos fortalecem a musculatura pélvica e ajudam no manejo dos prolapsos genitais.

Porém, a fisioterapia pélvica não é capaz de reduzir ou tratar sozinha prolapsos maiores (graus III e IV), quando no geral a cirurgia está indicada para a maioria das pacientes. Ainda assim nesses casos a fisioterapia pélvica é relevante na melhora do assoalho pélvico prévio ao procedimento e no fortalecimento do mesmo após a cirurgia, afim de diminuir a chance de recidiva e novos prolapsos.

10 – O papel da reposição hormonal

A menopausa e a queda hormonal associada levam a importante atrofia dos tecidos genitais e sua fraqueza pode ser um fator importante na gênese do prolapsos e seus sintomas como o sangramento.

Prolapso genital
Diagnosticar e corrigir a atrofia genital é fundamental no manejo clínico e cirúrgico dos prolapsos.

Devido a esse fato é interessante avaliar as pacientes com atrofia genital sintomática e prolapsos associados, realizando a correção dessa alteração seja no contexto de manejo cirúrgico ou clínico da doença. A reposição hormonal local melhora a resposta a fisioterapia pélvica feminina, assim como sua execução.

FONTES

1 – Prolapsos dos órgãos pélvicos, FEBRASGO – 2021

2 – Pelvic organ prolapse: review of the aetiology, presentation, diagnosis and management, MANCHI – 2011

Entre em contato com o Dr. Vinícius Araujo!

Dr. Vinícius Araújo Cirurgião Ginecológico de Alta Complexidade, Especialista em Endometriose.

Artigo escrito pelo próprio Dr. Vinícius Araújo

Cirurgião Ginecológico de Alta Complexidade, Especialista em Endometriose, que atua no Rio de Janeiro, RJ – Brasil.
CRM 52 – 98.297-0 / RQE – 33.293

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Foto de Dr. Vinicius Araújo

Dr. Vinicius Araújo

Autor deste artigo | Cirurgião Geral | Ginecologista e Obstetra