Cirurgia Vaginal

Mulher com indicação de cirurgia vaginal para endometriose

O que é?

A cirurgia vaginal é uma modalidade cirúrgica que utiliza a vagina para executar os objetivos cirúrgicos de maneira minimamente invasiva.
A cirurgia vaginal foi a primeira via a ser utilizada com sucesso para retirada do útero na cirurgia ginecológica, sendo considera a mãe de toda ginecologia cirúrgica. Enquanto a primeira cirurgia por via aberta (cesariana) foi realizada em 1840, a primeira por laparoscopia na década de 90 e a primeira por via robótica nos anos 2000, a primeira vez que foi realizado uma histerectomia vaginal foi em 1502 na Itália!

Cirurgia Vaginal

Uma via consagrada e segura para tratamento de várias doenças ginecológicas e com múltiplas vantagens! Laparoscopia, Robótica, Via Aberta ou Convencional não deve ser decidido pelo cirurgião e sim pela necessidade e individualização do caso da paciente em questão!

2 – Vantagens e desvantagens

A principal vantagem da cirurgia vaginal está na melhora precoce da dor e recuperação acelerada do pós operatório. A cirurgia vaginal costuma doer tão pouco que algumas pacientes ficam na dúvida se foram operadas. “Você retirou meu útero mesmo doutor?” é uma pergunta
que já ouvimos algumas vezes.

Cirurgia Vaginal

Outra vantagem da cirurgia vaginal é que todos pontos são internos, então a paciente não precisa retornar para retirada de pontos e o risco de infecção ou hematomas também é mínimo.

Cirurgia Vaginal

Porém é comum as pacientes terem queixas de ardência e incomodo vaginal, assim como ardência para urinar. Isso é esperado nas primeiras 48-72 horas, mas você deve avisar o médico se esses sintomas forem muito intensos ou perdurarem mais do que isso.

3 – Posicionamento

Na Cirurgia Vaginal a paciente fica na mesma posição da coleta do preventivo no consultório, mas por um tempo mais prolongado!

Desse modo, dores nas panturrilhas e na região lombar e do cóccix podem acontecer pelo tempo passado na mesma posição.

Cirurgia Vaginal

4 – Incontinência urinária

A cirurgia da incontinência urinária pode ser feita por via abdominal aberta, laparoscópica ou por via vaginal. Nas últimas duas décadas a via vaginal vem sendo a preferencial devido a facilidade e segurança dos kits de slings (fitas) vaginais.

Cirurgia Vaginal

Realiza-se uma anestesia local e uma incisão na uretra média de 1.5cm. Realiza-se a passagem da fita e suspensão da uretra, reposicionando-a e retornando o mecanismo de continência.
O procedimento dura entre 20-30 minutos e a paciente vai para casa depois de 4 horas, uma
recuperação incomparável com a via aberta e laparoscópica.

Cirurgia Vaginal

A dor nesses casos é bem pequena, normalmente a paciente conseguindo a resolução com analgésicos simples. Porém, é importante salientar que deve-se evitar atividade sexual, esforço físico e atividades com carga por 6 semanas!

5 – Bexiga arriada, a cistocele

Uma condição muito comum, que pode estar associada a incontinência ou não é a cistocele, vulgo bexiga arriada ou caída.
Nessa patologia chamada cistocele, acontece a perda de força do assoalho pélvico e a bexiga que é um órgão que deve ficar dentro da pelve óssea começa a deslizar para fora do canal vaginal, acarretando a popularmente conhecida bexiga caída. Isso pode alterar o mecanismo de continência e causar sintomas urinários nas pacientes, como a infecção urinária de repetição.

Cirurgia Vaginal

Em casos pequenos de Cistocele pequenas e sem outros sintomas associados o tratamento pode ser conservador.

Em casos de quedas maiores, associadas a incômodo ou desejo da paciente, a cirurgia é uma boa opção e a via nesse caso é SEMPRE vaginal. O reparo demora cerca de 30 minutos e a paciente pode ir de alta 4 horas depois da cirurgia.

Cirurgia Vaginal

A dor nesses casos é bem pequena, normalmente a paciente conseguindo a resolução com analgésicos simples. Porém, é importante salientar que deve-se evitar atividade sexual, esforço físico e atividades com carga!

6 – Reto arriado, a retocele.

A retocele é uma condição de origem parecida com a cistocele, mas agora a fraqueza é na parte posterior da vagina e o órgão que hernia para fora do canal vaginal é um segmento do intestino chamado reto. Isso pode trazer alterações na função intestinal que comprometem a qualidade de vida da paciente.

Cirurgia Vaginal

Em casos pequenos, sem outros sintomas associados e quando a paciente não se incomoda o tratamento da retocele pode ser conservador.

Cirurgia Vaginal

Em casos de quedas maiores, associadas a incômodo ou desejo da paciente, a cirurgia é uma boa opção e a via nesse caso é SEMPRE vaginal. O reparo demora cerca de 30 minutos e a paciente pode ir de alta 4 horas depois da cirurgia.

Cirurgia Vaginal

A dor nesses casos é bem pequena, normalmente a paciente conseguindo a resolução com analgésicos simples. Porém, é importante salientar que deve-se evitar atividade sexual, esforço físico e atividades com carga!

7 – Prolapso uterino

O prolapso uterino é a queda do próprio útero, que passa a descer pela vagina e ocupar seu espaço. É uma condição que é muitas vezes incomoda para a mulher e dificulta suas atividades
diárias.

Cirurgia Vaginal

Associado ao prolapso uterino está a cistocele e por vezes a retocele. O deslocamento do útero através do hiato vaginal também modifica de maneira importante o equilíbrio das estruturas e pode afetar o mecanismo de continência vaginal.

Na cirurgia do prolapso uterino o reparo é feito preferencialmente pela via vaginal com a retirada do útero e quando possível também das trompas. De uma maneira geral, se os ovários estão normais eles serão mantidos. Associado a retirada do útero podem ser corrigidos outros defeitos como a cistocele, retocele ou a incontinência urinária.

Concomitantemente a cirurgia do prolapso uterino são realizados procedimentos de fixação da cúpula para prevenir recidivas, sendo a opção mais usada pela equipe a Culdoplastia a MacCall.

 

8 – Perineoplastia, a “cirurgia do períneo”

O termo “cirurgia do períneo” não é técnico e comumente por leigos para cirurgias totalmente distintas. A perineoplastia é uma cirurgia na região do períneo onde vamos estreitar a vagina da mulher em seu vértice inferior, a parte que é próxima do períneo e anus e oposta ao clitóris.

Cirurgia Vaginal

Então vamos combinar?

1 – Cirurgia de incontinência urinária não é cirurgia do períneo!
2 – Cirurgia de correção da bexiga caída (cistocele) não é cirurgia do períneo!
3 – Cirurgia de correção do prolapso retal (retocele) não é cirurgia do períneo!
4 – Cirurgia de retirada do útero, com ou sem prolapso, pela via vaginal não é cirurgia do períneo!

Porém, a perineoplastia pode estar associada às cirurgias acima ou mesmo associada a todas.
Toda vez que tivermos um períneo alargado (> 3-4cm) ou a paciente tiver queixas, a cirurgia de perineoplastia deve ser realizada.

Cirurgia Vaginal

Em paciente sem atividade sexual podemos inclusive realizar o que chamamos de “perineoplastia alta”, que funcionalmente ajuda a prevenir prolapsos vaginais.

 

9 – Prolapso de cúpula vaginal

O prolapso de cúpula vaginal acontece quando retiramos o útero e a vagina sem sustentação inicia a sair pela vulva, gerando a aparência de uma “bola na vagina”.

Cirurgia Vaginal

A cirurgia do prolapso de cúpula pode ser realizada por via vaginal, tanto com a fixação em ligamento sacroespinhoso quanto através de fitas como o SPLENTIS, porém a técnica padrão ouro é a colpossacropromontofixação laparoscópica. 

Cirurgia Vaginal

A técnica laparoscópica da cirurgia do prolapso de cúpula envolve maior tempo cirúrgico e manipulação de estruturas. Paciente com múltiplas cirurgias abdominais ou muito idosas podem ter risco aumentado na correção laparoscópica e passar a via vaginal a ser preferencial.
Nesses casos a decisão deve ser individualizada e dividida entre a equipe cirúrgica e a paciente!

 

10 – Fistulas ginecológicas

A fistula ginecológica é uma comunicação patológica da vagina com o reto, ureteres, bexiga ou mesmo a uretra. A cirurgia da fístula ginecológica pode ser feita por via abdominal ou por via vaginal.

Cirurgia Vaginal

A cirurgia da fístula ginecológica por via vaginal possui como grande vantagem ser muito menos invasiva, com a paciente recebendo alta geralmente no mesmo dia ou após uma noite no hospital. O risco de complicações sérias também é muito reduzido, uma vez que não é explorada a cavidade abdominal.

Cirurgia Vaginal

De uma maneira geral a fistula ginecológica é melhor resolvida pela via vaginal, desde que o cirurgião domine as técnicas e especialmente a anatomia vaginal e do assoalho pélvico.

 

11 – Lesões do colo uterino, a conização uterina

As lesões de HPV por vezes precisam ser tratadas pela suspeição de carcinoma invasor. As duas modalidades mais comuns são o CAF, onde vamos tirar apenas a “tampa” do colo e a conização uterina onde vamos tirar uma maior quantidade de colo, em forma de cone. Ambas as cirurgias são executadas pela via vaginal em cerca de 30 minutos com a paciente recebendo alta 2-4 horas após o procedimento.

Cirurgia Vaginal

Mesmo nos casos onde a colposcopia com biópsia já diagnosticou a presença de carcinoma invasor, é necessário a conização uterina para estadiamento pré-operatório! Lembrar que em algum casos, a conização uterina pode ser o tratamento do carcinoma invasor, a depender da
profundidade de invasão da lesão.

Cirurgia Vaginal

Entre em contato com o Dr. Vinícius Araujo!

Dr. Vinícius Araújo Cirurgião Ginecológico de Alta Complexidade, Especialista em Endometriose.

Artigo escrito pelo próprio Dr. Vinícius Araújo

Cirurgião Ginecológico de Alta Complexidade, Especialista em Endometriose, que atua no Rio de Janeiro, RJ – Brasil.
CRM 52 – 98.297-0 / RQE – 33.293

Atendimento - Ipanema

R. Visc. de Pirajá, 303 – 11 andar, sala 1103 – Ipanema, Rio de Janeiro, RJ – Brasil.

Atendimento - Barra da Tijuca

Av. das Américas, 2480, Bloco 5, 2º Andar, Sala 234 – Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, RJ – Brasil.

Compartilhe esse conteúdo!

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Email
Telegram
Foto de Dr. Vinicius Araújo

Dr. Vinicius Araújo

Autor deste artigo | Cirurgião Geral | Ginecologista e Obstetra