Você já leu outro artigo do blog e entendeu que o seu caso pode precisar de cirurgia de mioma? Já passou por um especialista e recebeu essa orientação? Ou está estudando por conta própria e percebeu que talvez esse seja o caminho?
Esse artigo é para você, e aqui vamos conversar de forma clara sobre as vias de cirurgia de mioma e suas indicações.
Sou o Dr. Vinicius Araújo, cirurgião ginecológico com especialização em Miomas Complexos e seu tratamento cirúrgico por via minimamente invasiva. Atuo no Rio de Janeiro, RJ – Brasil.
Neste artigo vou explicar as principais diferenças entre as técnicas utilizadas na cirurgia de mioma, quais são as vantagens e limitações de cada abordagem e por que a escolha da via cirúrgica deve ser individualizada para cada paciente.
As 3 vias de cirurgia de mioma
Basicamente, temos três formas principais de realizar a cirurgia de mioma: a via aberta, a videolaparoscopia e a cirurgia robótica.
As duas últimas são consideradas minimamente invasivas e, de forma geral, apresentam melhor recuperação e melhores resultados estéticos.
A via aberta é uma cirurgia convencional, feita por corte, mas que ainda tem papel importante em situações específicas.
Vamos entender cada uma delas.
Cirurgia de mioma por via aberta
A cirurgia por via aberta é a cirurgia convencional, realizada por corte.
Eu costumo dizer que, na ginecologia, nenhuma doença precisa ser operada por corte com duas exceções: câncer de ovário volumoso e miomas volumosos.
Ou seja, apesar de ser uma via tradicional, a cirurgia aberta ainda pode ser extremamente importante no tratamento dos miomas.
Em úteros muito grandes, especialmente acima de 1 a 2 kg, ela pode inclusive ser uma via mais segura do que a laparoscopia ou a robótica.
Isso é ainda mais relevante quando estamos diante de múltiplos miomas.
Em casos extremamente complexos, especialmente quando o útero atinge volumes muito elevados ou existe grande quantidade de miomas distribuídos pela parede uterina, a cirurgia minimamente invasiva pode se tornar tecnicamente mais difícil.
Nessas situações, o tempo cirúrgico pode se prolongar significativamente e, em casos selecionados, pode haver necessidade de maior suporte anestésico, inclusive com possibilidade de transfusão sanguínea.
A cirurgia aberta, nesses cenários, pode oferecer mais segurança, melhor controle do sangramento e uma reconstrução uterina mais precisa.
Limitações da cirurgia de mioma minimamente invasiva nesses casos
É importante entender que todo útero, independentemente do tamanho, pode ser operado por vídeo ou robótica.
No entanto, em alguns casos extremos, isso pode levar a cirurgias muito longas, às vezes com duração de 6 a 7 horas, necessidade de transfusão sanguínea e até suporte intensivo em CTI.
Isso acontece porque miomas muito volumosos tornam a manipulação mais difícil dentro da cavidade abdominal, mesmo com tecnologia avançada.
Outro ponto importante é a presença de múltiplos miomas pequenos.
Na cirurgia minimamente invasiva, o tato é reduzido, e alguns miomas muito pequenos podem passar despercebidos.
Na cirurgia aberta, conseguimos literalmente palpar todo o útero e garantir uma remoção mais completa.

Videolaparoscopia
A videolaparoscopia começou a ser utilizada de forma mais ampla a partir da década de 1990.
É a famosa cirurgia dos furinhos.
Nela, introduzimos uma câmera pela cicatriz umbilical e realizamos pequenos acessos adicionais, geralmente de apenas 5 milímetros, para a passagem dos instrumentos.
É uma via fantástica, que permite uma cirurgia minimamente invasiva e um pós-operatório totalmente diferenciado.
Mesmo em casos de miomas volumosos, a videolaparoscopia pode ser utilizada, principalmente quando estamos diante de miomas únicos ou em pequeno número.
Trata-se de uma cirurgia de alta complexidade, mas com excelente resultado no pós-operatório.
Na prática, a laparoscopia e a robótica são hoje as principais vias para o tratamento da maioria dos miomas.
Mesmo miomas grandes podem ser operados por essas técnicas na maioria dos casos.
As exceções são raras e geralmente estão relacionadas aos casos descritos na cirurgia aberta.
Por isso, se você tem indicação cirúrgica, vale sempre perguntar ao seu médico sobre a possibilidade de abordagem minimamente invasiva.
Limitações da videolaparoscopia
Uma das limitações da videolaparoscopia é a ausência do tato direto durante o procedimento.
Isso significa que, apesar da excelente visualização em tela, miomas muito pequenos ou profundamente inseridos na parede uterina podem ter identificação mais difícil em comparação com a cirurgia aberta.
Esse detalhe pode ser relevante principalmente em casos com múltiplos miomas de pequeno volume.
Cirurgia de mioma robótica
A cirurgia robótica é um avanço da videolaparoscopia e representa o que existe de mais moderno na cirurgia ginecológica atualmente.
E é importante reforçar: não é o robô que opera.
Quem realiza a cirurgia é sempre o cirurgião, que controla os braços robóticos à distância.
A robótica permite o uso de instrumentos mais articulados, como a pinça tenáculo, facilitando a tração e rotação dos miomas.
Outro ponto importante é a sutura, que tende a ser mais precisa e eficiente.
Isso é especialmente relevante em miomectomias complexas, onde a reconstrução uterina é um dos passos mais importantes.
Vantagens da cirurgia de mioma robótica
A cirurgia robótica permite maior precisão na sutura uterina e pode ampliar a possibilidade de tratamento minimamente invasivo em casos mais complexos.
De forma geral, pode ser entendida como um aprimoramento da laparoscopia.
Limitações da cirurgia robótica
A principal limitação ainda é o custo, além da disponibilidade restrita em alguns hospitais.

Então, por qual via devo operar meu mioma?
A resposta mais honesta é: não existe uma via única correta para todos os casos.
A escolha depende do seu caso específico, do tipo de mioma, do tamanho, da quantidade e da experiência da equipe cirúrgica.
O mais importante é entender que não existe solução pronta.
Solução boa é solução discutida e testada.
A escolha da via cirúrgica não deve ser baseada em uma regra única, mas sim em uma avaliação individualizada, considerando o padrão dos miomas, o objetivo do tratamento e a experiência da equipe cirúrgica.
O mais importante não é apenas “qual técnica é mais moderna”, mas sim qual técnica oferece mais segurança e melhor resultado para o seu caso específico.
Por isso, o ideal é sempre buscar um especialista em miomas complexos, entender todas as opções e decidir com segurança qual via faz mais sentido para o seu caso.
Se você se sentir seguro com a equipe e com a proposta, siga com tranquilidade.
(FAQ) Perguntas Frequentes sobre cirurgia de mioma
Não existe uma única via que seja melhor para todos os casos. A escolha depende do tamanho, quantidade e localização dos miomas, além da experiência da equipe cirúrgica.
Em geral, sempre que possível, prioriza-se a videolaparoscopia ou a cirurgia robótica por serem minimamente invasivas.
Na maioria dos casos, sim. Porém, em situações de úteros muito volumosos ou com múltiplos miomas extensos, a cirurgia aberta pode ser mais segura e tecnicamente mais adequada.
Não. A cirurgia aberta não é pior, apenas tem indicações diferentes.
Em casos complexos, ela pode oferecer mais segurança, melhor controle cirúrgico e reconstrução uterina mais completa.
As duas são excelentes técnicas minimamente invasivas. A robótica oferece maior precisão em alguns movimentos e suturas, mas a escolha entre elas depende da disponibilidade e do perfil do caso.
Em geral, as cirurgias minimamente invasivas (videolaparoscopia e robótica) apresentam recuperação mais rápida, menos dor e retorno mais precoce às atividades.
Na maioria dos casos, sim. A miomectomia tem como objetivo justamente remover os miomas preservando o útero, principalmente em pacientes que desejam engravidar.
Ela pode ser indicada em casos de miomas muito grandes, múltiplos miomas profundos ou quando há dificuldade técnica importante para abordagem por vídeo ou robótica com segurança.
Dica de leitura complementar sobre Miomas
Se você ainda tem dúvidas sobre miomas, clique aqui para ler o meu artigo guia completo sobre esse tema, onde explico de forma clara todos os tipos, sintomas, diagnóstico e todas as opções de tratamento.
Para informações complementares sobre miomas uterinos, consulte o material educativo da American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG), uma das principais entidades de ginecologia do mundo.
Conclusão sobre cirurgia de mioma
A escolha da via cirúrgica para miomas não deve ser baseada em uma regra única ou em preferência pessoal por tecnologia.
Cada técnica tem indicações específicas e deve ser escolhida de forma individualizada, considerando o tamanho dos miomas, sua quantidade, localização e o objetivo do tratamento.
A cirurgia aberta ainda tem um papel importante em casos complexos, principalmente quando existe grande volume uterino ou múltiplos miomas profundos. Já a videolaparoscopia e a cirurgia robótica representam o que há de mais moderno em abordagem minimamente invasiva, com excelente recuperação e resultados estéticos superiores na maioria dos casos.
O mais importante não é escolher a técnica mais “moderna”, mas sim aquela que oferece mais segurança, melhor resultado cirúrgico e maior chance de tratamento completo para o seu caso específico.
Por isso, a decisão deve sempre ser feita em conjunto com um especialista em miomas complexos, que consiga avaliar todas as variáveis e indicar a melhor estratégia cirúrgica.


