Receber um laudo indicando endometriose em fundo de saco vaginal pode gerar muitas dúvidas e até preocupação. Afinal, onde exatamente fica essa região? O que significa ter endometriose nesse local? Existe relação com dor durante a relação sexual? Essa alteração pode afetar a fertilidade?
Essas são perguntas muito comuns no consultório, principalmente porque o nome “fundo de saco vaginal” parece indicar que existe algum tipo de estrutura em formato de saco dentro da vagina, o que naturalmente causa confusão.
Neste artigo, vamos explicar de forma clara o que é o fundo de saco vaginal, por que essa região é uma das localizações frequentes da endometriose profunda, quais sintomas podem estar relacionados, quando existe indicação de cirurgia e quais são os impactos possíveis para a qualidade de vida e para a fertilidade.
Sou o Dr. Vinícius Araújo, cirurgião ginecológico com especialização em endometriose, incluindo casos complexos com acometimento intestinal, urinário e de estruturas profundas da pelve. Atuo no Rio de Janeiro, RJ – Brasil.
O que é o fundo de saco vaginal?
Para entender a endometriose em fundo de saco vaginal, primeiro precisamos compreender a anatomia dessa região.
O termo “fundo de saco” pode causar estranheza, mas na anatomia humana ele possui um significado específico. Sempre que existe um espaço ou recesso formado entre estruturas, sem que exista um órgão preenchendo completamente aquele local, podemos chamar essa região de fundo de saco.
Existem diversos fundos de saco espalhados pelo corpo humano. O fundo de saco vaginal é apenas um deles, porém possui grande importância dentro da ginecologia, principalmente quando falamos de endometriose.
Muitas pacientes, ao receberem esse diagnóstico, perguntam:
“Eu tenho um saco dentro da vagina?”
A resposta é não.
O fundo de saco vaginal não é um órgão ou uma bolsa. Ele é uma região anatômica formada pelo encontro entre a parte superior da vagina, o colo do útero e estruturas localizadas posteriormente na pelve.
Essa área funciona como um espaço de transição entre a vagina e a cavidade abdominal, sendo revestida internamente pelo peritônio, uma membrana fina que recobre os órgãos da cavidade abdominal.
Essa relação anatômica é justamente um dos motivos pelos quais a endometriose costuma acometer essa região.

Fundo de saco vaginal e fundo de saco de Douglas são a mesma coisa?
Essa é uma dúvida extremamente frequente.
Muitas pacientes realizam um exame e encontram a descrição “endometriose em fundo de saco vaginal”. Em outro exame, aparece escrito “endometriose em fundo de saco de Douglas”. Surge então a dúvida:
“Tenho endometriose em dois lugares diferentes?”
Não.
O fundo de saco vaginal e o fundo de saco de Douglas representam a mesma região anatômica.
O nome Douglas vem de um médico que descreveu essa estrutura no passado e, por isso, alguns profissionais ainda utilizam essa nomenclatura nos exames e descrições anatômicas.
Portanto, se o seu laudo trouxe um desses termos, estamos falando da mesma localização.
Para entender melhor essa região, precisamos lembrar da divisão anatômica da pelve.
O útero fica localizado anteriormente ao reto e posteriormente à bexiga. A parte posterior do útero possui uma relação muito próxima com a vagina e com o intestino.
Entre essas estruturas existe justamente esse espaço chamado fundo de saco vaginal ou fundo de saco de Douglas.
Essa proximidade explica por que uma lesão de endometriose nessa região pode causar sintomas relacionados à relação sexual, ao funcionamento intestinal e à própria dor pélvica.

Por que a endometriose aparece com tanta frequência no fundo de saco vaginal?
A explicação está relacionada a uma das principais teorias para o desenvolvimento da endometriose: a menstruação retrógrada.
Durante a menstruação, parte do sangue menstrual pode retornar pelas trompas em direção à cavidade pélvica. Esse sangue contém células semelhantes às do endométrio, que podem se implantar em outras regiões e iniciar um processo inflamatório.
O fundo de saco vaginal é uma espécie de recesso anatômico da pelve.
Como todo recesso, ele pode funcionar como uma área de acúmulo de líquido e células provenientes desse refluxo menstrual.
Por esse motivo, ele é considerado uma das localizações clássicas da endometriose, especialmente da endometriose profunda.
A endometriose é frequentemente chamada de “doença dos recessos” justamente porque essas regiões onde existe menor movimentação e maior possibilidade de acúmulo podem favorecer a implantação e desenvolvimento das lesões.
Para entender melhor a doença de forma ampla, incluindo sintomas, diagnóstico e tratamento, vale consultar também as informações disponibilizadas pelo Ministério da Saúde sobre endometriose.
Além disso, o fundo de saco vaginal possui uma relação muito próxima com outras estruturas importantes, como a parte posterior do útero, os ligamentos uterossacros e o reto.
Essa conexão anatômica explica por que a endometriose nessa localização frequentemente aparece associada a outras áreas da pelve.
Em algumas pacientes, por exemplo, encontramos também acometimento dos ligamentos uterossacros, ovários ou aderências envolvendo o intestino.
Por isso, quando um exame identifica endometriose em fundo de saco vaginal, é fundamental avaliar não apenas a lesão isolada, mas todo o contexto da doença.
A endometriose em fundo de saco vaginal é um tipo de endometriose profunda?
Não necessariamente.
A endometriose em fundo de saco vaginal pode se apresentar como uma endometriose profunda ou superficial.
A endometriose profunda é caracterizada por lesões que ultrapassam 5mm de invasão dos tecidos e podem comprometer estruturas anatômicas mais profundas e outros órgãos na pelve. A endometriose superficial é caracterizada por lesões que atingem até 5mm de profundidade na invasão.
Diferentemente de uma lesão superficial localizada apenas na camada externa dos órgãos, a endometriose profunda pode causar retração, fibrose e alteração da anatomia normal.
No caso do fundo de saco vaginal, a doença pode começar como uma lesão superficial no peritônio que recobre essa região.
Porém, com a evolução do processo inflamatório, ela pode formar nódulos mais endurecidos e infiltrar tecidos próximos.
Além disso, uma característica importante da endometriose em fundo de saco vaginal é que ela pode criar aderências entre órgãos que normalmente deveriam ter movimentos independentes.
No fundo de saco vaginal, essa alteração pode aproximar e fixar estruturas como vagina, útero e reto, modificando a dinâmica natural da pelve.
Por esse motivo, a avaliação de uma paciente com esse diagnóstico deve ser feita por alguém habituado a analisar a endometriose superficial e profunda assim como suas relações anatômicas.
A endometriose em fundo de saco vaginal invade a vagina?
Essa é outra dúvida bastante comum.
Se o exame mostrou endometriose em fundo de saco vaginal, isso significa que a doença invadiu a parede da vagina?
A resposta é: depende da profundidade da lesão.
Em sua fase inicial, a endometriose pode permanecer restrita ao peritônio, que é a fina membrana que reveste internamente essa região. Nessa situação, a parede muscular da vagina permanece preservada.
Isso explica por que muitas pacientes apresentam alterações nos exames de imagem, mas não possuem lesões visíveis durante o exame especular realizado no consultório.
Entretanto, a endometriose é uma doença que pode evoluir ao longo do tempo.
À medida que a inflamação persiste, algumas lesões passam a infiltrar tecidos mais profundos e formam nódulos característicos da endometriose profunda.
Quando a endometriose passa a comprometer a parede vaginal
Quando esse processo de infiltração acontece, a parede da vagina pode começar a ser acometida.
Nesse momento, além da inflamação, ocorre também um processo de fibrose, que leva ao endurecimento dos tecidos e à retração das estruturas ao redor.
Essa retração pode reduzir a mobilidade natural da vagina, do útero e das estruturas vizinhas, favorecendo o aparecimento de sintomas importantes.
Entre eles, destacam-se:
- Dor pélvica contínua.
- Dor intensa durante a penetração profunda.
- Sensação de pressão na pelve.
Desconforto em determinados movimentos.
Nesses casos, o exame físico ganha enorme importância.
Durante o toque vaginal, muitas vezes é possível palpar o nódulo localizado no fundo de saco vaginal, avaliar seu tamanho, sua consistência, sua mobilidade e, principalmente, verificar se a dor provocada pelo exame corresponde exatamente ao sintoma relatado pela paciente.
Essa correlação entre exame físico, exames de imagem e sintomas é uma das bases do diagnóstico correto da endometriose profunda.
Dor na relação sexual tem relação com a endometriose em fundo de saco vaginal?
Sim. Na verdade, essa é uma das manifestações mais características dessa localização da doença.
A endometriose em fundo de saco vaginal apresenta forte associação com um sintoma chamado dispareunia de profundidade.
Esse termo médico significa dor durante a relação sexual quando ocorre penetração profunda.
O mecanismo é relativamente simples.
Durante a relação sexual, principalmente quando existe penetração mais profunda, o colo do útero e o fundo da vagina sofrem movimentação natural.
Se houver uma lesão de endometriose nessa região, essa mobilização acaba tracionando tecidos inflamados e fibróticos, provocando dor.
Por isso, muitas pacientes relatam que conseguem iniciar normalmente a relação sexual, mas sentem uma dor intensa quando a penetração se torna mais profunda.
Esse padrão de dor é bastante sugestivo de endometriose profunda.
O que é a dispareunia de profundidade?
A dispareunia de profundidade é considerada um dos sintomas clássicos da endometriose profunda.
Ela costuma aparecer principalmente em posições nas quais ocorre maior contato com o fundo da vagina e o colo uterino. Posições onde há a introdução completa do pênis na vagina como posição de 4 apoios, ou com a parceira por cima, são as posições mais comuns para sintomatologia dolorosa.
É comum que a paciente descreva uma dor em pontada, pressão intensa ou cólica profunda durante determinados movimentos da relação sexual. Outro sintoma comum é a permanência de dor na forma de cólicas horas após a relação.
Esse tipo de dor pode comprometer significativamente a qualidade de vida, afetando não apenas a atividade sexual, mas também aspectos emocionais e relacionamentos.
Quanto mais tempo essa dor permanece sem tratamento adequado, maior pode ser o risco de evolução para quadros de dor pélvica crônica.
Nem toda dor durante a relação sexual é causada por endometriose
Embora a dispareunia de profundidade seja muito sugestiva de endometriose em fundo de saco vaginal, é importante lembrar que nem toda dor durante a relação sexual possui essa origem.
Dor logo no início da penetração, sensação de ardência na entrada da vagina, ressecamento vaginal ou dor localizada na vulva costumam estar relacionados a outras condições ginecológicas.
Esses sintomas podem coexistir com a endometriose, principalmente porque a dor crônica pode desencadear tensão muscular importante na musculatura do assoalho pélvico.
Por isso, uma avaliação completa é indispensável para identificar corretamente todos os fatores envolvidos e definir o tratamento mais adequado.
Como é feito o diagnóstico da endometriose em fundo de saco vaginal?
O diagnóstico começa pela história clínica.
Sintomas como cólicas intensas, dor durante a relação sexual profunda, dor pélvica persistente e infertilidade costumam levantar a suspeita de endometriose profunda.
Em seguida, o exame físico realizado por um profissional experiente pode fornecer informações muito importantes.
Durante o toque vaginal, é possível avaliar:
- Presença de nódulos.
- Dor localizada.
- Rigidez dos tecidos.
- Mobilidade do útero.
- Possíveis aderências.
Além do exame clínico, os exames de imagem desempenham papel fundamental.
A ultrassonografia com preparo intestinal realizada por profissional especializado permite identificar muitas lesões profundas e avaliar sua relação com órgãos vizinhos.
Já a ressonância magnética da pelve oferece uma visão mais ampla da extensão da doença, principalmente quando existe suspeita de acometimento intestinal, urinário ou de outras estruturas profundas.
Esses exames não devem ser interpretados de forma isolada.
O diagnóstico mais preciso sempre resulta da combinação entre sintomas, exame físico e exames de imagem, permitindo compreender não apenas onde está a doença, mas também qual é seu impacto na vida da paciente.

Endometriose em fundo de saco vaginal tem tratamento?
Não existe um tratamento único que seja indicado para todas as pacientes com endometriose em fundo de saco vaginal. Assim como acontece em outros tipos de endometriose profunda, a decisão depende de vários fatores: intensidade dos sintomas, idade, desejo de engravidar, extensão da doença e impacto na qualidade de vida.
De forma geral, temos dois grandes pilares no tratamento da endometriose:
Tratamento clínico com bloqueio hormonal.
Tratamento cirúrgico para remoção das lesões.
O objetivo principal não é simplesmente eliminar uma imagem encontrada no exame, mas controlar a doença e permitir que a paciente tenha qualidade de vida, menos dor e, quando desejado, melhores condições para engravidar.
O tratamento clínico pode ser uma excelente opção em muitas pacientes. O uso de anticoncepcionais ou outros bloqueios hormonais consegue reduzir a atividade da endometriose, diminuindo a inflamação causada pelos focos da doença.
Com isso, sintomas como:
- Cólicas menstruais intensas.
- Dor pélvica relacionada ao ciclo.
- Dor lombar.
- Dor irradiada para pernas.
- Sangramento aumentado.
podem apresentar melhora significativa.
Por outro lado, existe uma particularidade importante quando falamos de endometriose em fundo de saco vaginal: a dor durante a relação sexual, especialmente a dor profunda.
Isso acontece porque, em algumas pacientes, a doença não causa apenas inflamação. Com o tempo, a endometriose pode gerar fibrose e retrações dos tecidos.
Essa fibrose funciona como uma espécie de “cicatriz interna”, puxando estruturas próximas, como o útero e o reto. Quando existe essa alteração anatômica, apenas controlar a inflamação com medicamentos pode não ser suficiente para eliminar completamente a dor.
Ou seja, o bloqueio hormonal pode “desligar” a doença, mas não consegue desfazer uma fibrose já estabelecida. Por esse motivo a dor no ato sexual é um dos sintomas que a terapia clínica mais falha em tratar. É muito comum a paciente melhorar todos os sintomas e continuar com a dor no ato sexual! Nesses casos, sobra apenas um tipo de tratamento para essas pacientes: a Cirurgia.
Quando a cirurgia para endometriose em fundo de saco vaginal pode ser indicada?
A cirurgia pode ser considerada principalmente quando a paciente apresenta sintomas importantes que não melhoram adequadamente com tratamento clínico ou quando existe impacto relevante na qualidade de vida.
Algumas situações em que a cirurgia pode ser discutida incluem:
Dor profunda na relação sexual persistente.
Dor pélvica importante apesar do tratamento hormonal.
Infertilidade associada à endometriose.
Presença de nódulos profundos com comprometimento de estruturas próximas.
Progressão da doença ou suspeita de acometimentos associados.
A cirurgia para endometriose em fundo de saco vaginal tem como objetivo realizar a remoção completa das áreas afetadas, preservando ao máximo as estruturas saudáveis.
Entretanto, essa é uma região que exige muito cuidado técnico.
O fundo de saco vaginal fica próximo a estruturas importantes, principalmente o intestino reto, ureteres e estruturas nervosas responsáveis pela função pélvica.
Por esse motivo, a cirurgia deve ser realizada por uma equipe acostumada com endometriose profunda, porque o planejamento adequado faz diferença tanto no resultado quanto na segurança do procedimento. A equipe deve estar preparada para o acometimento de múltiplos órgãos, especialmente para o acometimento intestinal.
Durante a cirurgia, o objetivo é liberar as estruturas que estão aderidas pela doença e remover a fibrose e os implantes de endometriose quando indicado. Essa remoção deve ser realiazada com margens amplas, removendo não somente os focos de endometriose mas toda a região acometida.
Em casos mais superficiais, a abordagem pode ser mais simples. Porém, quando existe invasão da parede vaginal ou associação com intestino, o procedimento pode atingir um grau maior de complexidade.
Endometriose em fundo de saco vaginal pode afetar o intestino?
Essa é uma das grandes preocupações das pacientes que recebem esse diagnóstico.
A resposta é: pode estar associada, mas isso não significa automaticamente que exista invasão intestinal.
A proximidade anatômica explica essa relação.
O fundo de saco vaginal fica localizado entre a parte posterior do útero e a região anterior do reto. Por isso, quando a endometriose cresce nessa região, ela pode causar aderências entre essas estruturas.
E aqui existe uma diferença fundamental:
Uma paciente pode ter apenas uma aderência entre o intestino e o útero causada pela inflamação.
Outra possibilidade é existir uma invasão verdadeira da parede intestinal pela endometriose.
São situações diferentes e que exigem condutas diferentes.
Essa avaliação depende muito da qualidade dos exames de imagem realizados.
A ultrassonografia transvaginal com preparo para endometriose é um exame muito importante nesse contexto, porque consegue avaliar a mobilidade dos órgãos, identificar aderências e analisar se existe comprometimento intestinal.
A ressonância magnética também possui papel importante, especialmente para mapear a extensão da doença e planejar uma possível cirurgia.
Por isso, diante de uma descrição de endometriose em fundo de saco vaginal, não basta apenas saber que a doença existe. É fundamental entender exatamente onde ela está, qual o tamanho da lesão e quais estruturas estão envolvidas. Aqui um ponto fundamental é a paciente fazer os exames com profissionais de referência e em centros de referência.
O exame de imagem da endometriose é muito complexo e é comum haver distorções importantes entre realidade e os laudos de imagem. Se você está sendo atendida por um verdadeiro especialista em endometriose, ele irá lhe encaminhar para os especialistas de imagem adequados!
Endometriose em fundo de saco vaginal impede a gravidez?
Essa é uma das primeiras dúvidas de muitas pacientes após receberem esse diagnóstico.
A presença de endometriose profunda pode, sim, estar associada a dificuldades para engravidar, mas isso não significa que a gravidez seja impossível.
A fertilidade depende de diversos fatores:
- Idade da paciente.
- Reserva ovariana.
- Presença de alterações nas trompas.
- Acometimento dos ovários.
- Grau de inflamação pélvica.
- Presença ou ausência de outros fatores de infertilidade.
A endometriose pode influenciar a fertilidade por diferentes mecanismos. A inflamação crônica da pelve pode alterar o ambiente reprodutivo, favorecer aderências e modificar a anatomia normal dos órgãos.
No entanto, muitas mulheres com endometriose profunda conseguem engravidar, principalmente quando existe um planejamento adequado e acompanhamento especializado.
Quando a paciente deseja gestação, a decisão entre operar ou não deve ser cuidadosamente individualizada.
Em algumas situações, a cirurgia pode ajudar a restaurar a anatomia e melhorar sintomas. Em pacientes inférteis alguns estudos mostram um aumento das chances de gravidez natural em até 50%, taxas superiores a da reprodução assistida. Porém, esses dados devem ser vistos com cautela porque tendemos a operar casais que tem outros aspectos de fertilidade normais, ou quase normais, e apenas a endometriose como fator de infertilidade. Dependendo do caso, e especialmente idade da paciente, pode ser interessante priorizar estratégias de preservação de fertilidade ou reprodução assistida.
Por esse motivo, uma paciente com endometriose em fundo de saco vaginal e desejo de engravidar não deve receber uma orientação automática. O planejamento deve considerar o cenário completo.
Perguntas frequentes sobre endometriose em fundo de saco vaginal
Sim. Os dois termos se referem à mesma região anatômica. “Fundo de saco de Douglas” é uma nomenclatura tradicional utilizada em homenagem ao médico que descreveu essa estrutura, enquanto “fundo de saco vaginal” é um termo mais descritivo.
Pode causar, e essa é uma das manifestações mais características. A dor costuma ocorrer durante a penetração profunda, quando há mobilização das lesões de endometriose presentes nessa região.
Não necessariamente. Muitas mulheres com esse diagnóstico conseguem engravidar naturalmente.
No entanto, quando existe infertilidade, é importante realizar uma avaliação especializada para definir a melhor estratégia de tratamento e planejamento reprodutivo.
Não. O tratamento depende da intensidade dos sintomas, da extensão da doença, do desejo de gestação e da resposta ao tratamento clínico.
Muitas pacientes conseguem bom controle apenas com bloqueio hormonal, enquanto outras se beneficiam da cirurgia.
Sim. Como essa região fica muito próxima do útero, dos ligamentos uterossacros e do intestino, é relativamente comum que a doença esteja associada a outras formas de endometriose profunda.
Por isso, uma avaliação completa é sempre recomendada.
Dica de leitura complementar sobre Endometriose
Se você ainda tem dúvidas sobre a doença, clique aqui para ler o meu artigo guia completo sobre endometriose, onde explico de forma clara os sintomas, diagnóstico e todas as opções de tratamento.
Conclusão sobre endometriose em fundo de saco vaginal
Receber o diagnóstico de endometriose em fundo de saco vaginal pode gerar insegurança, principalmente pelo nome pouco familiar e pela associação com sintomas como dor na relação sexual e infertilidade. No entanto, compreender o que esse achado realmente significa é o primeiro passo para tomar decisões conscientes sobre o tratamento.
Ao longo deste artigo, vimos que o fundo de saco vaginal, também chamado de fundo de saco de Douglas, é uma região anatômica frequentemente acometida pela endometriose profunda devido às suas características e à proximidade com estruturas importantes da pelve. Dependendo da extensão da doença, podem surgir sintomas como dispareunia de profundidade, dor pélvica crônica e, em alguns casos, comprometimento de órgãos vizinhos.
Também entendemos que nem toda paciente precisará de cirurgia. O tratamento deve ser individualizado, levando em consideração os sintomas, a extensão da doença, o desejo de engravidar e o impacto da endometriose na qualidade de vida. Em algumas situações, o bloqueio hormonal oferece excelente controle. Em outras, principalmente quando existe fibrose importante ou dor refratária, a cirurgia realizada por uma equipe especializada pode proporcionar melhora significativa.
Além disso, um diagnóstico preciso faz toda a diferença. Exames de imagem realizados por profissionais experientes e uma avaliação clínica cuidadosa permitem identificar corretamente a extensão da doença e escolher a estratégia terapêutica mais adequada para cada caso.
Se o seu exame mostrou endometriose em fundo de saco vaginal, procure um especialista com experiência em endometriose profunda. Uma avaliação individualizada é essencial para esclarecer dúvidas, entender o real impacto da doença e definir o tratamento mais seguro e eficaz para a sua realidade.
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