Placa retrocervical de endometriose, o que é, sintomas, riscos e tratamento

Mulher grávida se alimentando em artigo sobre Placa retrocervical de endometriose

Recebeu um laudo com o termo placa retrocervical de endometriose e ficou sem entender exatamente o que isso significa? Esse é um achado que costuma gerar muitas dúvidas, principalmente porque o nome parece complexo e pode causar preocupação.

Onde fica essa região? É um tipo grave de endometriose? Pode afetar a fertilidade? Existe necessidade de cirurgia?

Segundo o Ministério da Saúde A endometriose é uma doença que pode apresentar diferentes formas de acometimento, desde lesões superficiais até formas profundas que envolvem órgãos e estruturas pélvicas.

Neste artigo, vamos explicar de forma clara o que é a placa retrocervical de endometriose, por que ela acontece, quais estruturas pode acometer, quais são os impactos para a mulher e quais são as opções de tratamento.

Sou o Dr. Vinicius Araújo, cirurgião ginecológico com especialização em endometriose, incluindo casos complexos com acometimento intestinal, urinário e de estruturas profundas da pelve. Atuo no Rio de Janeiro, RJ – Brasil.

O que é a placa retrocervical de endometriose?

A placa retrocervical de endometriose é uma forma de endometriose profunda localizada atrás do colo do útero, em uma região chamada retrocérvix.

Antes de entender a doença, precisamos compreender um pouco da anatomia do útero.

O útero é dividido didaticamente em três partes principais:

Ilustração Placa retrocervical de endometriose

Fundo uterino: É a parte mais superior do útero, localizada acima do corpo uterino. É nessa região que se encontram as áreas próximas às conexões das trompas.

Corpo uterino: É a maior parte do órgão, onde normalmente ocorre a implantação da gestação.

Ilustração de útero com Placa retrocervical de endometriose

Colo uterino ou cérvix: É a parte inferior do útero, que faz comunicação com a vagina e pode ser avaliada pelo exame ginecológico, toque vaginal e exame especular.

O colo uterino também recebe o nome de cérvix uterina. Essa nomenclatura vem da semelhança anatômica com um “pescoço”, conectando a parte principal do útero, formada pelo corpo e fundo, à vagina.

Quando falamos em retrocérvix, estamos falando da região localizada atrás do colo uterino.

O prefixo “retro” significa “atrás”. Portanto, a retrocérvix seria, de maneira simplificada, a região posterior do “pescoço” do útero, uma área que já está dentro da cavidade pélvica.

Essa localização é extremamente importante porque a região retrocervical é um dos locais mais frequentes de acometimento pela endometriose profunda.

Por que a endometriose costuma atingir a região retrocervical?

A endometriose acontece quando tecido semelhante ao endométrio, que deveria estar apenas dentro do útero, aparece em outras regiões do organismo.

A região atrás do colo uterino possui características anatômicas que favorecem o desenvolvimento dessas lesões.

Durante a menstruação, uma parte do sangue pode seguir um caminho contrário ao fluxo natural, fenômeno conhecido como menstruação retrógrada, junto com a origem embriológica uma das fontes da endometriose. Esse conteúdo pode alcançar regiões profundas da pelve e contribuir para o surgimento da endometriose em mulheres predispostas.

Além disso, os recessos próximos ao útero podem funcionar como áreas de acúmulo dessas células, favorecendo processos inflamatórios e formação de implantes de endometriose.

Com o passar do tempo, essas lesões podem crescer, gerar fibrose e infiltrar estruturas próximas, formando aquilo que chamamos de endometriose profunda.

Por isso, quando um exame descreve uma placa retrocervical de endometriose, geralmente estamos falando de uma lesão organizada, profunda e que merece uma avaliação especializada.

A placa retrocervical de endometriose é um tipo de endometriose profunda?

Sim. A placa retrocervical de endometriose é considerada uma manifestação de endometriose profunda.

A endometriose profunda é caracterizada por lesões que ultrapassam determinada profundidade de invasão dos tecidos, geralmente superior a 5 milímetros, podendo envolver estruturas importantes da pelve.

Diferentemente de pequenas lesões superficiais, a endometriose profunda apresenta maior capacidade de infiltrar tecidos e causar alterações anatômicas.

Quando encontramos uma placa retrocervical, frequentemente ela está associada a outros locais de acometimento, como:

Ligamentos uterossacros: Estruturas que ajudam na sustentação do útero e são locais muito comuns de implantação da endometriose.

Ovários: Podem apresentar endometriomas, conhecidos popularmente como “cistos de endometriose”.

Paramétrios: Regiões laterais próximas ao útero que possuem vasos sanguíneos, nervos e estruturas importantes.

Intestino: Principalmente o reto e o sigmoide, devido à proximidade anatômica com a região posterior do útero.

Por esse motivo, o diagnóstico de uma placa retrocervical não deve ser analisado isoladamente. É fundamental entender toda a extensão da doença e se existem outros pontos de acometimento associados.

O que significa uma placa retrocervical no exame de imagem?

Quando uma paciente recebe esse resultado em um exame como ultrassonografia com preparo para endometriose ou ressonância magnética, muitas vezes surge a dúvida: “isso significa que a doença está muito avançada?”

A resposta precisa ser individualizada.

A presença de uma placa retrocervical indica uma lesão profunda, mas o impacto clínico depende de diversos fatores:

  • O tamanho da lesão.
  • O grau de infiltração dos tecidos.
  • A presença de envolvimento intestinal ou urinário.
  • A intensidade dos sintomas.
  • O desejo de gravidez.

A avaliação por imagem tem um papel fundamental nesse planejamento.

A ultrassonografia transvaginal com preparo para endometriose é um exame muito importante porque permite analisar não apenas a presença da lesão, mas também sua relação com estruturas próximas.

A ressonância magnética, por outro lado, pode ajudar a mapear acometimentos mais extensos e avaliar outras áreas profundas da pelve.

Entretanto, a qualidade do diagnóstico depende muito da experiência do profissional que realiza e interpreta o exame.

A endometriose profunda é uma doença que exige uma análise anatômica detalhada. Pequenas diferenças na descrição podem mudar completamente a estratégia de tratamento.

A placa retrocervical de endometriose pode causar dor?

Sim. A dor é uma das principais preocupações relacionadas à placa retrocervical de endometriose.

Essa região possui uma relação muito próxima com estruturas responsáveis pela sustentação uterina e com áreas ricas em fibras nervosas.

Um achado bastante característico é a dor durante a penetração profunda.

Isso acontece porque a relação sexual com penetração profunda pode movimentar o colo uterino, exatamente a região próxima da placa retrocervical.

Durante o exame ginecológico, essa característica também pode ser percebida.

Em uma paciente sem acometimento nessa região, a mobilização do colo uterino durante o toque costuma causar apenas desconforto ou uma sensação de pressão.

Já em pacientes com endometriose retrocervical, a mobilização pode desencadear uma dor intensa, muitas vezes descrita como:

  • Dor em pontada.
  • Cólica profunda.
  • Sensação de choque ou pressão pélvica.

Essa mesma resposta dolorosa durante o exame pode se relacionar com a dor durante a relação sexual. Outro fato muito comum é essa paciente sentir uma dor muito impactante durante o exame especular para coleta de preventivo. Não é normal sentir muita dor durante a coleta do preventivo e isso pode ser um sinal de endometriose!

Além disso, como a endometriose é uma doença inflamatória, essas lesões podem piorar durante o ciclo menstrual, quando ocorre estímulo hormonal e atividade inflamatória da doença.

A placa retrocervical de endometriose pode afetar a fertilidade?

Uma das primeiras preocupações após o diagnóstico de uma placa retrocervical de endometriose costuma ser:

“Vou conseguir engravidar?”

Essa é uma dúvida completamente compreensível, principalmente porque muitas pacientes associam a endometriose profunda automaticamente à infertilidade.

A resposta mais adequada é: muitas mulheres com placa retrocervical conseguem engravidar, mas a avaliação precisa ser individualizada.

A endometriose pode interferir na fertilidade por diferentes mecanismos. A inflamação causada pela doença pode alterar o ambiente pélvico, prejudicar a movimentação das trompas, afetar a qualidade dos óvulos e modificar a receptividade do endométrio.

No caso específico da placa retrocervical, existe uma preocupação adicional porque estamos diante de uma lesão profunda, que invade diretamente o útero e sua parede muscular. Uma lesão invasiva da parede muscular do órgão que irá receber o embrião não é nada bom para fertilidade. A placa retrocervical é exatamente essa manifestação de invasão direta do órgão e especialmente preocupante nas pacientes que desejam gestar.

Ainda assim, ter uma endometriose profunda não significa que a gestação seja impossível.

É importante lembrar que mesmo pacientes com endometriose avançada, incluindo graus III e IV, podem conseguir engravidar.

A idade da paciente é um dos fatores mais importantes nessa avaliação. Uma mulher jovem, especialmente com boa reserva ovariana ou com óvulos previamente congelados, apresenta um cenário diferente de uma paciente mais velha com redução natural da fertilidade.

Por esse motivo, o diagnóstico de uma placa retrocervical deve sempre abrir uma conversa sobre planejamento reprodutivo.

O planejamento da fertilidade é fundamental nas pacientes com placa retrocervical

Quando uma mulher descobre uma placa retrocervical de endometriose e deseja engravidar, não basta apenas analisar a lesão isoladamente.

É necessário avaliar todo o contexto:

  • Idade da paciente.
  • Reserva ovariana.
  • Tempo de tentativa de gestação.
  • Presença de outras áreas de endometriose.
  • Condições das trompas e do parceiro.
  • Possibilidade de preservação da fertilidade.

Essa análise é importante porque algumas pacientes podem se beneficiar de estratégias como acompanhamento direcionado, tentativa de gestação natural ou técnicas de reprodução assistida.

Em outras situações, especialmente quando existe dor importante ou doença extensa, pode ser necessário discutir o papel da cirurgia antes da gestação. É sabido que nas pacientes inférteis alguns estudos mostram o aumento de até 50% na chance de gravidez, o que é acima das chances da reprodução humana. Porém, devemos ver esses dados numéricos com atenção e entender que o grupo operado no geral são as pacientes onde outras questões como fator masculino, trompas e reserva ovariana estão ajustadas.

Por isso, uma das maiores recomendações para pacientes com placa retrocervical é não esperar a doença evoluir sem planejamento.

A endometriose é uma doença que deve ser acompanhada considerando não apenas os sintomas atuais, mas também os objetivos futuros da paciente.

Se existe desejo de engravidar, conversar cedo com um especialista pode fazer diferença nas possibilidades de preservação da fertilidade. Nesse ponto o planejamento fértil é essencial! No geral, deixamos para pedir exames de fertilidade quando a paciente não está conseguindo engravidar. Isso muda na endometriose!

A paciente portadora de endometriose tem altíssimo risco fértil e por vezes é interessante adiantar alguns exames, mesmo que ela não queira engravidar naquele momento em específico. Endometriose profunda preocupa muito quanto a fertilidade e o manejo por um especialista na doença é essencial!

Quais são as principais preocupações da placa retrocervical de endometriose?

A placa retrocervical de endometriose merece atenção porque sua localização pode gerar alterações importantes na anatomia e no funcionamento da pelve.

Uma das principais consequências está relacionada à dor.

Como essa endometriose cresce dentro dos tecidos e sofre influência hormonal durante o ciclo menstrual, ela pode gerar inflamação diretamente na região posterior do útero.

Esse processo pode provocar:

  • Cólicas menstruais intensas.
  • Dor pélvica profunda.
  • Dor durante a relação sexual com penetração profunda.
  • Sensação de pressão ou peso na pelve.

Além da dor, outro ponto importante é a capacidade da endometriose modificar a anatomia uterina.

Dr. Viniciuus Araújo especialista em Placa retrocervical de endometriose

A placa retrocervical pode causar útero retrovertido?

Sim, a placa retrocervical de endometriose pode estar relacionada ao útero retrovertido em algumas pacientes.

O útero retrovertido é uma variação anatômica em que o órgão fica inclinado para trás em direção ao sacro.

Muitas vezes, essa condição é vista apenas como uma característica anatômica sem necessariamente causar sintomas.

Porém, em algumas pacientes com endometriose retrocervical, essa alteração pode ser consequência do processo inflamatório e das aderências causadas pela doença.

A endometriose localizada atrás do útero pode gerar retração dos tecidos, fibrose e contração da região posterior uterina.

Dessa forma, o útero pode assumir uma posição mais inclinada para trás.

Portanto, em algumas situações, o útero retrovertido não é necessariamente a causa da dor, mas sim uma consequência das alterações provocadas pela endometriose.

A placa retrocervical pode atingir o intestino?

Essa é uma das maiores preocupações quando identificamos uma placa retrocervical de endometriose.

A região retrocervical fica muito próxima ao reto e ao sigmoide, que são as porções finais do intestino.

Por essa proximidade anatômica, existe possibilidade de a endometriose gerar aderências ou até mesmo infiltrar a parede intestinal.

Entretanto, é fundamental diferenciar duas situações:

Uma paciente pode apresentar uma aderência intestinal causada pela inflamação da endometriose, sem invasão do intestino.

Por outro lado, pode existir uma verdadeira endometriose intestinal, quando a doença invade as camadas da parede intestinal.

Essa diferença é extremamente importante porque muda completamente o planejamento cirúrgico.

Uma aderência simples pode ter uma abordagem diferente de uma lesão intestinal profunda que exige tratamento específico.

A ultrassonografia transvaginal com preparo para endometriose possui grande importância justamente nessa avaliação, pois permite analisar a relação entre a placa retrocervical e o intestino.

Como é um exame móvel, nesse sentido de diferenciar uma aderência intestinal de uma invasão intestinal o Usg com Preparo é superior a Ressonância com preparo da endometriose. Sua análise das camadas invadidas pelo intestino é mais fidedigna e precisa que a ressonância quando estamos falando de endometriose intestinal.

Por isso, quando existe suspeita de acometimento intestinal, o ideal é buscar uma equipe habituada ao tratamento da endometriose profunda.

Como é feito o tratamento da placa retrocervical de endometriose?

O tratamento da placa retrocervical de endometriose depende principalmente dos sintomas, da extensão da doença e dos objetivos da paciente.

Assim como em outros tipos de endometriose, existem duas grandes possibilidades:

  • Tratamento clínico.
  • Tratamento cirúrgico.

O tratamento clínico utiliza principalmente estratégias hormonais para reduzir a atividade da doença e controlar sintomas.

Anticoncepcionais, progestagênios e outros bloqueios hormonais podem ser utilizados para diminuir a inflamação provocada pela endometriose e controlar a dor.

No entanto, é importante entender uma diferença fundamental: os medicamentos podem controlar a atividade da doença, mas não removem uma placa de endometriose já formada.

Quando existe uma lesão profunda causando sintomas importantes, a cirurgia pode ser considerada.

A indicação costuma ser avaliada principalmente em situações como:

  • Dor persistente apesar do tratamento clínico.
  • Dor durante a relação sexual com impacto na qualidade de vida.
  • Infertilidade associada à endometriose.
  • Acometimento de estruturas próximas.
  • Comprometimento intestinal ou urinário.

A decisão nunca deve ser baseada apenas no exame de imagem, mas sim na combinação entre sintomas, achados anatômicos e objetivos da paciente.

Cirurgia para remover a placa retrocervical de endometriose

A cirurgia para a placa retrocervical de endometriose pode ser uma das opções de tratamento quando a paciente apresenta dor importante, infertilidade associada ou quando a doença causa comprometimento anatômico relevante.

Assim como acontece com outras formas de endometriose profunda, a indicação cirúrgica deve ser individualizada. O simples fato de existir uma placa retrocervical no exame não significa obrigatoriamente que a paciente precisa operar.

A decisão depende principalmente do impacto da doença na vida da mulher, dos sintomas apresentados, do desejo de gestação e da extensão do acometimento.

Quando optamos pela cirurgia, o objetivo é realizar a remoção completa da área de endometriose, retirando a placa retrocervical em toda sua extensão de acometimento.

Esse conceito é muito importante porque a endometriose profunda não é apenas uma “mancha” superficial. Muitas vezes, ela está infiltrada nos tecidos, causando fibrose, retração e alteração da anatomia normal da pelve.

Durante a cirurgia, é realizado um verdadeiro trabalho de dissecção e liberação dos tecidos, buscando remover a doença e, ao mesmo tempo, preservar as estruturas saudáveis.

Nos casos em que a paciente ainda deseja engravidar, um dos principais objetivos é preservar a anatomia uterina e manter as melhores condições possíveis para uma futura gestação.

A remoção da placa retrocervical precisa ser feita com muito cuidado para evitar abertura do canal cervical ou uma retirada excessiva da parede uterina, situações que podem trazer impactos futuros.

Por isso, a cirurgia exige planejamento e experiência específica em endometriose profunda.

Por que a cirurgia da placa retrocervical de endometriose é considerada delicada?

A região retrocervical é uma área de grande complexidade anatômica.

Próximo à placa retrocervical encontramos estruturas extremamente importantes, como os ureteres, que são os canais responsáveis por transportar a urina dos rins até a bexiga, além de estruturas nervosas pertencentes aos plexos hipogástricos.

Essa proximidade explica por que esse tipo de cirurgia precisa ser realizado com precisão.

Uma lesão do ureter, por exemplo, pode levar a complicações importantes, como fístulas urinárias, necessidade de procedimentos adicionais e impacto na função urinária.

Da mesma forma, lesões das estruturas nervosas próximas podem causar alterações no controle da micção, funcionamento intestinal e controle dos esfíncteres.

Por esse motivo, a cirurgia da endometriose profunda não deve ser encarada apenas como uma retirada de uma lesão identificada no exame.

É necessário compreender profundamente a anatomia da região, saber onde a doença está localizada e realizar uma abordagem que consiga equilibrar dois objetivos:

Retirar a maior quantidade possível de doença.

Preservar as estruturas responsáveis pelo funcionamento normal da pelve.

Esse equilíbrio é justamente o que diferencia uma cirurgia bem planejada de uma abordagem simplificada de uma doença complexa.

A remoção completa da endometriose reduz o risco de retorno da doença?

Um ponto muito importante quando falamos de cirurgia para endometriose é entender o conceito de recorrência.

Muitas pacientes chegam ao consultório dizendo que a doença “voltou” após uma cirurgia anterior.

Porém, em muitos casos, o que chamamos de recidiva não é exatamente uma nova doença surgindo, mas sim uma lesão que permaneceu porque a primeira cirurgia não conseguiu remover completamente todos os focos de endometriose.

A endometriose profunda pode ser uma doença extensa e, quando a cirurgia não é realizada de forma completa, pequenos focos podem permanecer ativos e continuar causando sintomas.

Por isso, quando existe indicação cirúrgica, é fundamental buscar uma equipe realmente habituada a esse tipo de procedimento e que tenha experiência com cirurgia excisional da endometriose.

A segunda cirurgia costuma ser mais difícil.

Quando já existe uma cirurgia anterior, o processo cicatricial modifica a anatomia da região, aumenta as aderências e torna a identificação dos planos naturais dos tecidos mais complexa.

Consequentemente, existe menor previsibilidade do procedimento e maior risco de lesões de estruturas próximas.

Por esse motivo, a escolha da primeira cirurgia é um momento extremamente importante.

Uma abordagem adequada desde o início pode evitar procedimentos repetidos e aumentar a chance de um resultado satisfatório.

Toda paciente com placa retrocervical de endometriose precisa operar?

Não.

Essa é uma das informações mais importantes para as pacientes entenderem.

A presença de uma placa retrocervical de endometriose no exame demonstra que existe uma lesão profunda, mas a conduta depende do contexto completo.

Algumas pacientes apresentam sintomas controláveis com tratamento clínico e podem ser acompanhadas de forma segura.

Outras possuem dor intensa, infertilidade ou comprometimento de estruturas próximas, situações em que a cirurgia pode trazer benefícios importantes.

A avaliação deve considerar o conjunto da história da paciente.

Uma mulher jovem que deseja engravidar, por exemplo, pode ter uma estratégia diferente de uma paciente que já completou seu planejamento familiar.

Da mesma forma, uma paciente com pouca dor e doença estável pode ter uma conduta diferente daquela com dor incapacitante e progressão da doença.

A medicina de precisão não vai tratar o exame. Para o mesmo exame podemos ter condutas totalmente diferentes de acordo com os sintomas! Para o mesmo exame e sintomas podemos ter condutas totalmente diferentes de acordo com o contexto e objetivos férteis da paciente!

A endometriose é uma doença onde a individualização é a chave para bons resultados!

Recebi o diagnóstico de placa retrocervical de endometriose. O que devo fazer?

Receber esse diagnóstico pode gerar muitas dúvidas e insegurança, principalmente pelo termo “endometriose profunda”.

O primeiro passo é entender exatamente qual é a extensão da doença.

Nem toda placa retrocervical tem o mesmo comportamento. Algumas são pequenas e localizadas, enquanto outras podem envolver ligamentos uterossacros, intestino, ovários ou outras estruturas da pelve.

Por isso, uma avaliação especializada é fundamental.

O ideal é analisar:

  • O resultado detalhado dos exames de imagem.
  • A presença ou ausência de sintomas.
  • O desejo reprodutivo.
  • O impacto da doença na qualidade de vida.
  • A necessidade ou não de abordagem cirúrgica.

A endometriose profunda é uma doença complexa, mas com planejamento adequado é possível construir uma estratégia segura e individualizada.

Quando o exame apresenta uma placa retrocervical de endometriose, buscar um especialista com experiência em casos complexos faz diferença para entender quais caminhos realmente fazem sentido para você.

❓ (FAQ) Perguntas frequentes sobre placa retrocervical de endometriose

1. A placa retrocervical de endometriose é uma doença grave?

A placa retrocervical de endometriose é uma forma de endometriose profunda, localizada em uma região próxima ao útero, ligamentos uterossacros, intestino e estruturas nervosas.

Apesar de exigir uma avaliação especializada, esse diagnóstico não significa que a paciente esteja sem opções. O tratamento depende da extensão da doença, sintomas e objetivos de cada mulher.

2. A placa retrocervical de endometriose pode causar infertilidade?

Sim, pode estar associada a dificuldades para engravidar, principalmente quando existe inflamação, aderências ou outras áreas de endometriose associadas.

Porém, o diagnóstico não significa infertilidade definitiva. Muitas pacientes conseguem engravidar com planejamento adequado e acompanhamento especializado.

3. A placa retrocervical de endometriose sempre precisa de cirurgia?

Não.
A cirurgia é indicada principalmente quando existe dor importante, infertilidade associada, comprometimento de estruturas próximas ou falha do tratamento clínico.

Em algumas pacientes, o acompanhamento e o tratamento medicamentoso podem ser uma estratégia adequada.

4. A cirurgia para retirar a placa retrocervical de endometriose é perigosa?

A cirurgia é considerada de alta complexidade porque a região fica próxima de estruturas delicadas, como ureteres e nervos pélvicos.

Quando realizada por uma equipe especializada em endometriose profunda, com planejamento adequado, é possível buscar a remoção da doença com segurança e preservação das estruturas importantes.

5. A endometriose retrocervical pode voltar depois da cirurgia?

Pode existir retorno dos sintomas após a cirurgia, mas muitos casos chamados de “recidiva” estão relacionados à permanência de focos de endometriose não removidos completamente.

Por isso, quando existe indicação cirúrgica, a experiência da equipe e a remoção adequada da doença são fatores fundamentais.

💡 Dica de leitura complementar sobre endometriose

Se você ainda tem dúvidas sobre a doença, clique aqui para ler o meu artigo guia completo sobre endometriose, onde explico de forma clara os sintomas, diagnóstico e todas as opções de tratamento.

Conclusão sobre placa retrocervical de endometriose

Receber um diagnóstico de placa retrocervical de endometriose pode gerar muitas dúvidas, principalmente pelo nome complexo e pela associação com uma forma mais profunda da doença.

No entanto, entender exatamente o que esse achado significa é o primeiro passo para tomar decisões mais seguras.

A placa retrocervical representa uma forma de endometriose profunda localizada atrás do colo uterino, uma região anatomicamente delicada e próxima de estruturas importantes da pelve. Por esse motivo, ela pode estar associada a sintomas como dor pélvica intensa, cólicas importantes, dor na relação sexual profunda, alterações anatômicas do útero e, em alguns casos, impacto na fertilidade.

Ao mesmo tempo, esse diagnóstico não deve ser encarado como uma condenação.

Cada paciente apresenta uma realidade diferente. Algumas podem ser acompanhadas clinicamente, enquanto outras podem se beneficiar de uma cirurgia especializada para remoção da doença.

Quando existe indicação cirúrgica, o objetivo deve ser sempre realizar uma abordagem completa e cuidadosa, removendo a endometriose comprometida e preservando, ao máximo, as estruturas saudáveis da pelve.

Por esse motivo, a escolha da equipe que irá conduzir o tratamento tem grande importância. A endometriose profunda exige experiência, planejamento e conhecimento anatômico detalhado para alcançar os melhores resultados.

Se o seu exame descreveu uma placa retrocervical de endometriose, o próximo passo é buscar uma avaliação especializada para entender a extensão real da doença e quais opções fazem sentido para o seu caso. Com informação adequada e um tratamento individualizado, é possível enfrentar a endometriose com mais segurança e qualidade de vida.

Referências Bibliográficas:

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Entre em contato com o Dr. Vinícius Araujo!

Dr. Vinícius Araújo Cirurgião Ginecológico de Alta Complexidade, Especialista em Endometriose.

Artigo escrito pelo próprio Dr. Vinícius Araújo

Cirurgião Ginecológico de Alta Complexidade, Especialista em Endometriose e Miomas, que atua no Rio de Janeiro, RJ – Brasil.
CRM 52 – 98.297-0 / RQE – 33.293 / RQE – 33.294 / RQE: 41.394 / RQE: 61901

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Dr. Vinicius Araújo

Autor deste artigo | Cirurgião Geral | Ginecologista e Obstetra