Cirurgia de mioma com preservação do útero, é sempre possível?

Médicos junto com Dr. Vinícius Araújo realizando Cirurgia de mioma com preservação do útero

Quando falamos em cirurgia de mioma com preservação do útero, muitas pacientes chegam ao consultório com a mesma dúvida: “Doutor, vou perder meu útero?”, “me disseram que no meu caso não tem jeito” ou até “já está condenado”.

Essas perguntas são extremamente comuns e, principalmente, refletem um medo importante em pacientes com miomas múltiplos ou útero aumentado.

Sou o Dr. Vinicius Araújo, cirurgião ginecológico com especialização em Miomas Complexos e seu tratamento cirúrgico por via minimamente invasiva. Atuo no Rio de Janeiro, RJ – Brasil.

E neste artigo vou lhe explicar com clareza o que realmente define a preservação uterina.

Estou com muitos miomas, vou perder meu útero na cirurgia?

Cirurgia de mioma preservação do útero

Primeiro ponto importante: ter muitos miomas não significa automaticamente que o útero precisará ser retirado.
Pelo contrário, na maioria dos casos, é possível planejar uma cirurgia com preservação uterina, especialmente quando o tratamento é feito por uma equipe experiente.

Miomas são extremamente comuns e podem afetar até 80% das mulheres. Não é porque você possui um ou vários miomas que necessariamente haverá indicação de cirurgia, e muito menos de retirada do útero.

Além disso, também consideramos o procedimento em casos de sangramento uterino aumentado, cólicas intensas, anemia ou dificuldade para engravidar.

Quando há desejo de fertilidade, a preservação uterina deve ser sempre o objetivo principal da cirurgia.

Na prática da cirurgia de miomas complexos, quando realizada por equipe especializada e com suporte hospitalar adequado, a chance de perda do útero é extremamente baixa, geralmente menor que 1%.

Para aprofundar o entendimento sobre miomas uterinos, você pode acessar um guia completo e confiável da American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG), uma das principais autoridades mundiais em ginecologia.

“Doutor, meu útero é gigante, ainda é possível preservar?”

Essa é uma das frases mais comuns no consultório.

Antes de tudo, precisamos definir o que é um útero volumoso. Em termos gerais, úteros acima de 300 cm³ ou 300 gramas já entram nessa categoria, mas existem casos muito maiores do que isso.

E sim, mesmo úteros gigantes são passíveis de preservação.

Mas aqui o ponto muda: a complexidade aumenta de forma significativa.

Em úteros muito volumosos, a cirurgia de miomectomia exige preparo rigoroso. Muitas pacientes apresentam deficiência de ferro e anemia. Cerca de 50% das mulheres com miomas têm algum grau de deficiência de ferro e até 15% apresentam anemia sintomática.

Por isso, esse preparo não é um detalhe. Ele é, na verdade, uma etapa essencial para o sucesso da cirurgia.

Em casos grandes, também pode ser necessário reservar bolsas de sangue e, em situações específicas, suporte hospitalar em ambiente de maior complexidade, incluindo CTI.

A cirurgia de miomas gigantes exige reconstrução uterina cuidadosa, controle de sangramento e principalmente planejamento técnico e clínico integrado.

O sucesso não depende apenas do momento da cirurgia, mas de todo o preparo anterior.

“Doutor, eu devo aceitar a condenação do meu útero?”

A resposta é direta.

Não.

E não apenas isso: jamais.

Existe um conceito muito importante na cirurgia de miomas complexos:

Todo útero é preservável até que ele prove o contrário.

Isso significa que, sempre que a paciente desejar, o cirurgião deve priorizar a preservação uterina.

Mesmo em casos extremamente complexos, caso tenhamos desejo da paciente, o planejamento deve ser feito com foco em manter o útero. Tentar sempre é possível! Conseguir quase sempre, para mais de 99% dos casos!

Mesmo em situações cirúrgicas excepcionais, com distorção anatômica extrema ou risco cirúrgico elevado, é possível tentar a preservação. Para isso, deve ser feito uma avaliação por equipe especializada.

Se você recebeu a informação de que “não tem jeito”, uma segunda opinião é fundamental.

Quero preservar o útero, mas não quero cirurgia aberta

Na grande maioria dos casos, isso é possível.

Hoje, as técnicas minimamente invasivas como videolaparoscopia e cirurgia robótica permitem tratar a maioria dos miomas com preservação uterina.

Mesmo miomas volumosos podem ser abordados por essas vias em centros experientes.

A cirurgia aberta fica reservada para situações específicas, geralmente úteros extremamente grandes ou casos com múltiplos miomas em que a abordagem minimamente invasiva perde segurança ou eficiência.

Vias cirúrgicas na miomectomia

Cirurgia de mioma com preservação do útero por via aberta

A cirurgia por via aberta é a cirurgia convencional por corte.

Na ginecologia, nenhuma doença precisa ser operada por corte com duas exceções: câncer de ovário volumoso e miomas volumosos.

Já isso mostra algo importante: ela ainda tem papel.

Em úteros gigantes, especialmente acima de 1 a 2 kg, a cirurgia aberta pode ser uma via mais segura do que a laparoscopia ou robótica.

Isso acontece porque miomas muito grandes dificultam a manipulação dentro da cavidade, além de limitarem o espaço cirúrgico.

Em cirurgias muito longas por vídeo ou robótica, o tempo pode se estender por muitas horas, com maior risco de sangramento e necessidade de suporte transfusional.

Outro ponto importante é a presença de múltiplos miomas pequenos. Na cirurgia minimamente invasiva, o tato é limitado, e alguns miomas podem não ser identificados. Na cirurgia aberta, é possível palpar toda a espessura uterina e remover lesões de forma mais completa.

O preconceito com essa via é comum, mas muitas vezes injustificado. A cicatriz, na maioria dos casos, é semelhante à de uma cesariana.

Cirurgia de mioma com preservação do útero por videolaparoscopia 

A videolaparoscopia é uma via cirúrgica que se consolidou a partir da década de 1990.

É a famosa cirurgia dos furinhos.

Nela, introduzimos uma câmera pela cicatriz umbilical e realizamos pequenos acessos adicionais, geralmente de cerca de 5 milímetros.

É uma via extremamente eficiente, que permite cirurgia minimamente invasiva e recuperação muito mais rápida.

Mesmo miomas volumosos podem ser operados por laparoscopia, especialmente quando são únicos ou em pequeno número.

Trata-se de uma cirurgia de alta complexidade técnica, com múltiplas etapas importantes, mas com benefício claro em pós-operatório, dor e retorno às atividades.

Hoje, a laparoscopia e a robótica são as principais vias cirúrgicas para a maioria dos casos de miomas.

Cirurgia robótica de mioma com preservação do útero 

A cirurgia robótica é um avanço da laparoscopia e representa o que há de mais moderno na cirurgia ginecológica.

E é importante reforçar: não é o robô que opera.

Quem opera é sempre o cirurgião, controlando os braços robóticos à distância.

A robótica permite maior precisão, melhor articulação dos instrumentos e sutura mais rápida e refinada, o que é especialmente útil em miomas grandes e cirurgias complexas.

Ela também amplia a possibilidade de abordagem minimamente invasiva em casos que seriam mais desafiadores na laparoscopia.

A principal limitação ainda é custo e disponibilidade.

Então, por qual via devo operar meu mioma?

A resposta mais honesta é: não existe uma via única correta.

A escolha depende do tamanho, número, localização dos miomas, sintomas, desejo reprodutivo e experiência da equipe cirúrgica.

O mais importante é entender que cirurgia de mioma não é padronizada.

É individualizada.

E precisa ser planejada com base em segurança, preservação e resultado funcional.

❓ (FAQ) Perguntas Frequentes sobre Cirurgia de mioma com preservação do útero

1. É possível preservar o útero na cirurgia de mioma?

Sim. Na maioria dos casos, a preservação uterina é possível, principalmente em centros especializados em miomas complexos.

2. Quando há risco de perder o útero?

É raro, mas pode ocorrer em casos extremamente complexos, com sangramento incontrolável ou anatomia muito distorcida. Em equipes experientes, esse risco é muito baixo.

3. Miomas grandes impedem a preservação do útero?

Não necessariamente. Mesmo miomas volumosos podem ser tratados com preservação uterina, dependendo do caso.

4. Toda cirurgia de mioma precisa ser aberta?

Não. A maioria pode ser feita por laparoscopia ou robótica. A via aberta é reservada para casos selecionados.

5. Laparoscopia ou robótica é melhor que cirurgia aberta?

Em geral sim, principalmente em recuperação e estética, mas a escolha depende da complexidade do caso.

6. Posso engravidar depois da miomectomia?

Sim, em muitos casos a miomectomia é justamente indicada para melhorar fertilidade.

💡 Dica de leitura complementar sobre Miomas

Se você ainda tem dúvidas sobre miomas, clique aqui para ler o meu artigo guia completo sobre esse tema, onde explico de forma clara todos os tipos, sintomas, diagnóstico e todas as opções de tratamento.

Conclusão sobre Cirurgia de mioma com preservação do útero

A preservação do útero na cirurgia de mioma não deve ser vista como exceção, mas como objetivo sempre que for clinicamente possível.

Com planejamento adequado, equipe experiente e estrutura hospitalar compatível, a grande maioria dos casos de miomas pode ser tratada com preservação uterina, mesmo em situações complexas ou com úteros aumentados.

O ponto mais importante não é apenas o tamanho ou a quantidade de miomas, mas sim a combinação entre avaliação pré-operatória, correção de condições clínicas como anemia, e principalmente a experiência da equipe em cirurgia de miomas complexos.

Em outras palavras, não existe “caso perdido” de forma automática. Existe sim indicação de maior complexidade cirúrgica e necessidade de estratégia adequada.

Quando esses fatores estão alinhados, a cirurgia de miomectomia pode ser realizada com segurança, mantendo o útero e preservando o projeto reprodutivo e a qualidade de vida da paciente.

Entre em contato com o Dr. Vinícius Araujo!

Dr. Vinícius Araújo Cirurgião Ginecológico de Alta Complexidade, Especialista em Endometriose.

Artigo escrito pelo próprio Dr. Vinícius Araújo

Cirurgião Ginecológico de Alta Complexidade, Especialista em Endometriose, que atua no Rio de Janeiro, RJ – Brasil.
CRM 52 – 98.297-0 / RQE – 33.293

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Foto de Dr. Vinicius Araújo

Dr. Vinicius Araújo

Autor deste artigo | Cirurgião Geral | Ginecologista e Obstetra