Quando falamos em miomas, a maioria das pacientes pensa imediatamente em sangramento aumentado. De fato, o sangramento é um dos principais sintomas da doença e uma das causas mais frequentes de indicação cirúrgica. Mas será que o mioma causa apenas sangramento? A resposta é não. Os sintomas compressivos dos miomas também podem ter grande impacto na qualidade de vida e surgem quando o crescimento do útero passa a comprimir órgãos vizinhos, principalmente a bexiga e o intestino.
Mas será que o mioma causa apenas sangramento?
A resposta é não.
Os sintomas compressivos dos miomas também estão entre as manifestações mais importantes da doença e podem afetar significativamente a qualidade de vida. À medida que os miomas crescem, eles aumentam o volume do útero e passam a pressionar órgãos vizinhos, principalmente a bexiga e o intestino, provocando sintomas que muitas vezes não são associados à presença desses tumores benignos.
Sou o Dr. Vinicius Araújo, cirurgião ginecológico com especialização em Miomas Complexos e seu tratamento cirúrgico por via minimamente invasiva. Atuo no Rio de Janeiro, RJ – Brasil.
Neste artigo, vou explicar o que são os sintomas compressivos dos miomas, por que eles acontecem, quais órgãos podem ser afetados e quando esses sintomas podem indicar a necessidade de tratamento.
O que são os sintomas compressivos dos miomas?
Os sintomas compressivos acontecem quando o crescimento dos miomas leva à compressão de órgãos e estruturas vizinhas.
Os miomas são tumores benignos das células musculares do útero e podem crescer bastante em algumas pacientes. Esse aumento de volume é o principal responsável pelo aparecimento dos sintomas compressivos.
Como o útero está localizado no centro da pelve feminina, ele mantém uma relação anatômica muito próxima com diversos órgãos. À medida que aumenta de tamanho, o espaço disponível dentro da pelve vai diminuindo, e estruturas vizinhas passam a sofrer pressão constante.
Os dois órgãos mais frequentemente acometidos são a bexiga, localizada na parte anterior do útero, e o reto, localizado na sua porção posterior.
Dependendo da direção do crescimento do mioma, os sintomas podem ser predominantemente urinários, intestinais ou relacionados ao aumento do volume abdominal.
Como os sintomas compressivos dos miomas acontecem
O mecanismo é relativamente simples de entender.
Imagine que a pelve feminina funciona como um compartimento com espaço limitado. Quando um mioma cresce, ele ocupa cada vez mais espaço dentro desse ambiente.
Em muitos casos, o problema não está apenas no tamanho absoluto do mioma, mas na sua capacidade de deslocar e comprimir estruturas vizinhas.
Quanto maior o volume uterino, maior tende a ser a pressão exercida sobre a bexiga, o intestino e outras estruturas da pelve.
É justamente essa compressão mecânica que dá origem aos sintomas compressivos dos miomas.
Como os miomas podem afetar a bexiga
A bexiga é o órgão responsável por armazenar a urina produzida pelos rins até o momento da micção.
Para desempenhar essa função, ela precisa se expandir gradualmente conforme vai sendo preenchida.
Porém, quando um mioma cresce na porção anterior do útero, ele passa a ocupar justamente o espaço que antes era utilizado pela bexiga para sua expansão.
Na prática, a capacidade de armazenamento da bexiga diminui.
O resultado costuma ser bastante característico.
A paciente passa a sentir vontade de urinar com muita frequência, mesmo ingerindo pequenas quantidades de líquidos. Muitas vezes surge a sensação de que a bexiga está sempre cheia, embora o volume urinário eliminado seja pequeno.
É muito comum ouvir relatos como:
“Doutor, eu mal bebo água e já preciso correr para o banheiro. Quando chego lá, sai só um pouquinho de urina.”
Esse sintoma pode impactar significativamente a qualidade de vida, interferindo no trabalho, no sono, em viagens e nas atividades do dia a dia.
Os sintomas urinários melhoram após a menopausa?
Esse é um ponto muito importante.
Existe uma crença de que todos os sintomas causados pelos miomas desaparecem após a menopausa, mas isso nem sempre acontece.
Os sintomas que costumam melhorar são aqueles relacionados ao estímulo hormonal, como sangramento excessivo e cólicas.
Já os sintomas compressivos seguem uma lógica diferente.
Se o mioma estava comprimindo a bexiga antes da menopausa, essa compressão pode continuar existindo mesmo após a interrupção dos ciclos menstruais.
Em alguns casos, o mioma pode sofrer calcificação com o passar dos anos, tornando-se mais rígido e pesado, o que mantém ou até intensifica o efeito compressivo.
Como os miomas podem afetar o intestino
Na parte posterior do útero encontramos o reto e o sigmoide, estruturas responsáveis pelo armazenamento das fezes antes da evacuação.
Quando o crescimento do útero ocorre em direção posterior, o espaço disponível para o funcionamento normal do intestino começa a diminuir.
O intestino passa a funcionar em um ambiente comprimido, com menor capacidade para armazenar e movimentar adequadamente o conteúdo fecal.
O resultado pode ser o surgimento de diversos sintomas intestinais.
Mioma pode causar prisão de ventre?
Sim.
A constipação intestinal é um dos sintomas compressivos mais comuns em pacientes com miomas volumosos.
Nesses casos, o intestino sofre uma obstrução mecânica causada pela compressão exercida pelo útero aumentado.
A paciente frequentemente relata que já tentou aumentar o consumo de água, melhorar a alimentação, utilizar fibras e seguir orientações médicas, mas a constipação persiste.
Isso acontece porque o problema não está apenas no funcionamento intestinal.
Existe uma barreira física dificultando a passagem das fezes.
Enquanto essa compressão não for resolvida, a tendência é que os sintomas continuem presentes.
Alteração no formato das fezes também pode ser causada por miomas
Um sintoma que muitas pacientes não associam aos miomas é a mudança no formato das fezes.
Quando o útero aumenta de volume e passa a ocupar espaço na região posterior da pelve, pode ocorrer compressão do reto e do sigmoide, estruturas responsáveis pelo armazenamento e pela passagem das fezes já formadas.
À medida que esse espaço fica reduzido, as fezes passam por uma região mais estreita durante a evacuação. Como consequência, algumas pacientes percebem que elas se tornam mais finas, achatadas ou com formato diferente do habitual.
Embora essa alteração possa ocorrer por diversos motivos e não seja exclusiva dos miomas, sua presença em mulheres com útero aumentado e sintomas intestinais associados deve sempre ser investigada. Quando acompanhada de constipação crônica, sensação de evacuação incompleta ou dificuldade persistente para evacuar, pode indicar compressão mecânica causada pelo crescimento dos miomas.
O aumento do volume abdominal causado pelos miomas
Em alguns casos, os miomas podem atingir dimensões impressionantes e provocar um aumento significativo do volume abdominal.
À medida que o útero cresce, ele passa a ocupar cada vez mais espaço dentro da cavidade abdominal, podendo gerar uma projeção visível da barriga. Em situações mais avançadas, o aspecto do abdômen pode se tornar semelhante ao de uma gestação.
Embora muitas pessoas não imaginem que um mioma possa atingir grandes proporções, existem casos em que o útero aumenta de tamanho a ponto de corresponder ao volume de uma gestação de 8 ou 9 meses.
Esse crescimento não gera apenas uma alteração estética. Frequentemente ele vem acompanhado de outros sintomas compressivos, como aumento da frequência urinária, constipação intestinal, sensação constante de peso pélvico, desconforto abdominal e até dificuldade para realizar algumas atividades do dia a dia.
Em casos mais extremos, o volume uterino pode exercer pressão sobre estruturas localizadas mais acima no abdômen, contribuindo para sensação de cansaço, desconforto ao realizar esforços e até sintomas respiratórios.
Além do impacto físico, o aumento abdominal pode afetar significativamente o bem-estar emocional da paciente. Não são raras as situações em que mulheres com miomas volumosos relatam constrangimento por serem confundidas com gestantes em ambientes públicos, o que pode gerar sofrimento psicológico e impacto na autoestima.
Um ponto importante é que esse tipo de sintoma costuma estar relacionado ao efeito mecânico do volume do mioma. Por isso, diferentemente das cólicas e do sangramento, que frequentemente melhoram após a menopausa, os sintomas compressivos tendem a persistir enquanto o volume uterino permanecer aumentado. Em alguns casos, a calcificação dos miomas após a menopausa pode inclusive aumentar a sensação de peso na pelve.
Miomas volumosos podem atingir proporções impressionantes
Embora muitas pessoas não saibam disso, alguns miomas podem atingir dimensões equivalentes às de uma gestação de nove meses ou até maiores.
Quando chegam a esse volume, além do aumento abdominal evidente, costumam estar associados a sintomas compressivos importantes, como alterações urinárias, constipação intestinal, sensação de peso na pelve, cansaço e, em casos mais avançados, até desconforto respiratório devido à pressão exercida sobre estruturas do abdômen.
A menopausa nem sempre resolve os sintomas compressivos dos miomas
Muitas pacientes acreditam que todos os sintomas dos miomas desaparecem após a menopausa, mas isso nem sempre acontece.
Embora cólicas e sangramento costumem melhorar com a queda dos hormônios femininos, os sintomas compressivos seguem uma lógica diferente. Quando o mioma continua ocupando espaço e comprimindo órgãos como a bexiga e o intestino, os sintomas urinários, intestinais e a sensação de peso abdominal podem persistir.
Em alguns casos, o mioma ainda pode sofrer calcificação após a menopausa, tornando-se mais rígido e pesado. Por isso, mulheres que apresentam sintomas compressivos importantes devem continuar sendo acompanhadas mesmo após o fim dos ciclos menstruais.
Quando os sintomas compressivos dos miomas podem indicar tratamento?
Nem todo mioma necessita de cirurgia.
No entanto, quando os sintomas começam a impactar significativamente a qualidade de vida da paciente, o tratamento pode se tornar necessário.
Entre os principais sinais de alerta estão:
- Necessidade de urinar frequentemente.
- Incapacidade de armazenar volumes normais de urina.
- Constipação intestinal persistente.
- Alteração importante do hábito intestinal.
- Aumento excessivo do volume abdominal.
- Sensação constante de peso na pelve.
- Impacto importante na rotina e no bem-estar.
A decisão sobre o tratamento deve sempre ser individualizada e baseada na avaliação clínica, nos sintomas e nos exames de imagem.
(FAQ) Perguntas frequentes sobre sintomas compressivos dos miomas
São sintomas causados pela compressão de órgãos vizinhos devido ao crescimento dos miomas e do volume uterino.
Sim. Quando comprime a bexiga, o mioma reduz sua capacidade de armazenamento, aumentando a frequência urinária.
Sim. A compressão do reto e do sigmoide pode dificultar a passagem das fezes e provocar constipação crônica.
Pode. A compressão intestinal pode modificar o formato das fezes durante sua passagem pelo intestino.
Sim. Miomas volumosos podem provocar aumento abdominal significativo e simular uma gestação avançada.
Nem sempre. Diferentemente do sangramento e das cólicas, os sintomas relacionados à compressão podem persistir mesmo após a menopausa.
Dica de leitura complementar sobre Miomas
Se você ainda tem dúvidas sobre miomas, clique aqui para ler o meu artigo guia completo sobre esse tema, onde explico de forma clara todos os tipos, sintomas, diagnóstico e todas as opções de tratamento.
Para informações complementares sobre miomas uterinos, consulte o material educativo da American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG), uma das principais entidades de ginecologia do mundo.
Conclusão sobre sintomas compressivos dos miomas
Embora o sangramento seja um dos sintomas mais conhecidos dos miomas, ele está longe de ser a única manifestação da doença. Os sintomas compressivos dos miomas podem afetar profundamente a qualidade de vida e provocar alterações urinárias, intestinais e aumento importante do volume abdominal.
Compreender esses sintomas é fundamental para reconhecer quando os miomas estão causando impacto além das alterações menstruais. Se você apresenta sinais de compressão da bexiga, do intestino ou aumento progressivo do abdômen, procure avaliação especializada para entender a causa e discutir as melhores opções de tratamento.


