O nódulo de endometriose costuma gerar bastante preocupação quando aparece no laudo da ultrassonografia ou da ressonância magnética. Muitas mulheres associam imediatamente esse diagnóstico à necessidade de cirurgia, infertilidade ou até mesmo a uma doença grave sem tratamento. No entanto, embora represente uma forma mais avançada da endometriose, a presença de um nódulo não significa, por si só, que você precisará operar ou que não poderá engravidar.
Compreender o que é um nódulo de endometriose, como ele se forma e quais são suas implicações é fundamental para tomar decisões mais seguras sobre o tratamento. Além disso, entender a diferença entre uma lesão superficial e uma lesão profunda ajuda a interpretar corretamente os exames e evita preocupações desnecessárias.
Ao longo deste artigo, você vai descobrir o que caracteriza um nódulo de endometriose, em quais órgãos ele pode surgir, quando ele realmente exige tratamento cirúrgico e como essa condição pode impactar sintomas, fertilidade e qualidade de vida.
Sou o Dr. Vinícius Araújo, cirurgião ginecológico com especialização em endometriose, incluindo casos complexos com acometimento intestinal, urinário e de estruturas profundas da pelve. Atuo no Rio de Janeiro, RJ – Brasil.
O que é um nódulo de endometriose?

Quando um exame descreve a presença de um nódulo de endometriose, significa que a doença deixou de se manifestar apenas como pequenos implantes superficiais e passou a formar uma lesão sólida, mais espessa e profunda.
O termo “nódulo” é relativamente genérico, mas já transmite uma informação muito importante: não se trata de uma endometriose superficial simples.
Para entender isso, primeiro precisamos diferenciar os dois principais tipos de endometriose.
Nódulo de endometriose e endometriose profunda são a mesma coisa?
Há algumas décadas, convencionou-se utilizar a profundidade da lesão como critério para classificar a endometriose.
Lesões com até 5 milímetros de profundidade passaram a ser classificadas como superficiais.
Lesões que ultrapassam 5 milímetros passaram a ser classificadas como endometriose profunda.
Dentro dessa classificação, podemos afirmar que todo nódulo de endometriose corresponde a uma forma de endometriose profunda.
Sempre que a doença cresce, espessa os tecidos e forma um “caroço”, ela obrigatoriamente já ultrapassou esse limite de profundidade.
No entanto, a relação inversa não é verdadeira.
Nem toda endometriose profunda forma um nódulo.
Nem toda endometriose profunda forma um nódulo
Esse é um detalhe importante que costuma gerar confusão.
A endometriose profunda pode se apresentar de diferentes maneiras. Em algumas pacientes ela realmente forma um nódulo bem definido. Em outras, manifesta-se como uma lesão em placa, mais achatada, infiltrando os tecidos sem adquirir o formato típico de um caroço.
Ou seja:
Todo nódulo de endometriose é uma lesão profunda, mas nem toda lesão profunda é um nódulo.
Essa diferença explica por que alguns laudos descrevem “placa de endometriose”, enquanto outros utilizam o termo “nódulo”. Ambos podem representar formas profundas da doença, porém com aspectos anatômicos diferentes.
Como um nódulo de endometriose se forma?
A formação do nódulo acontece de maneira gradual.
Inicialmente, pequenas células semelhantes ao endométrio se implantam fora do útero. A cada ciclo menstrual essas células sofrem estímulo hormonal, inflamam e podem apresentar pequenos sangramentos locais.
Com o passar dos meses ou dos anos, esse processo inflamatório repetitivo provoca uma intensa reação de cicatrização do organismo.
É justamente essa combinação entre inflamação, fibrose e retração dos tecidos que leva ao surgimento do nódulo.
Por esse motivo, os nódulos costumam apresentar consistência endurecida e podem aderir estruturas vizinhas, alterando a anatomia normal da pelve.
Além disso, essa retração dos tecidos explica muitos dos sintomas apresentados pelas pacientes, especialmente dor pélvica, cólicas intensas e dor durante a relação sexual, dependendo da localização da lesão.
Onde pode surgir um nódulo de endometriose?
Uma das características da endometriose profunda é que ela pode acometer diferentes órgãos da pelve e, mais raramente, outras regiões do organismo.
O local onde o nódulo se desenvolve é justamente o que define o seu “sobrenome” nos exames e durante a consulta médica.
Por isso, é comum encontrar descrições como:
- Nódulo de endometriose intestinal.
- Nódulo de endometriose da bexiga.
- Nódulo de endometriose no ligamento uterossacro.
- Nódulo de endometriose na parede abdominal.
- Nódulo de endometriose no apêndice.
- Nódulo de endometriose no ceco.
Cada uma dessas localizações pode produzir sintomas diferentes, além de exigir estratégias específicas de acompanhamento e tratamento.
Enquanto um nódulo intestinal pode provocar alterações do hábito intestinal, um nódulo localizado nos ligamentos uterossacros costuma estar mais relacionado à dor profunda durante a relação sexual e à dor pélvica crônica.
Da mesma forma, lesões na bexiga podem causar sintomas urinários, enquanto nódulos na parede abdominal frequentemente provocam dor localizada, principalmente durante o período menstrual.
Qual é o formato de um nódulo de endometriose?
Apesar do nome sugerir um pequeno caroço perfeitamente arredondado, a realidade costuma ser diferente.
Os nódulos de endometriose geralmente apresentam formato irregular, bordas pouco definidas e intensa capacidade de retrair os tecidos ao seu redor.
Essa retração é uma das principais características observadas pelos especialistas durante os exames de imagem e também durante a cirurgia.
Em vez de apenas ocupar espaço, o nódulo modifica a anatomia local, podendo aproximar órgãos que normalmente estariam separados, provocar aderências e limitar a mobilidade das estruturas da pelve.
Essa capacidade de causar fibrose e retração explica por que, muitas vezes, pacientes com nódulos relativamente pequenos apresentam sintomas bastante importantes, enquanto outras com lesões maiores podem apresentar poucos sintomas.
O comportamento da doença depende não apenas do tamanho do nódulo, mas principalmente da sua localização, profundidade e relação com estruturas vizinhas.
Vou conseguir ter filhos mesmo tendo um nódulo de endometriose?

Receber um laudo informando a presença de um nódulo de endometriose costuma gerar muitas dúvidas. Uma das primeiras perguntas que surgem é: “Ainda vou conseguir engravidar?”
A resposta, na maioria dos casos, é tranquilizadora: sim, é possível ter filhos mesmo quando existe um nódulo de endometriose.
Entretanto, essa resposta depende de diversos fatores, como idade, reserva ovariana, localização das lesões, presença de outros fatores de infertilidade e do tratamento realizado. Por isso, antes de tomar qualquer decisão, é fundamental entender o que realmente significa esse diagnóstico.
Nódulo de endometriose reduz as chances de gravidez?
O fato de existir um nódulo de endometriose normalmente indica que a doença está em sua forma profunda. Isso significa que a lesão ultrapassa os tecidos superficiais e pode comprometer estruturas importantes da pelve, como intestino, bexiga, ligamentos uterossacros e ovários.
A relação entre endometriose profunda e fertilidade deve ser avaliada de forma individualizada, considerando fatores como idade, reserva ovariana, extensão da doença e outros possíveis fatores de infertilidade. A FEBRASGO também destaca a importância de uma avaliação clínica e de imagem adequada para orientar a conduta em casos de endometriose profunda.
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Mesmo assim, o diagnóstico não significa infertilidade.
Na prática clínica, muitas mulheres com endometriose profunda engravidam espontaneamente ou após tratamento adequado. Segundo a experiência apresentada pelo Dr. Vinícius, aproximadamente 50% das pacientes com endometriose grave (estágios III e IV) conseguem engravidar, principalmente quando recebem acompanhamento especializado.
Além disso, a idade continua sendo um dos fatores mais importantes para o sucesso reprodutivo. Pacientes jovens, especialmente aquelas com menos de 35 anos e boa reserva ovariana, costumam apresentar perspectivas bastante favoráveis.
Por esse motivo, descobrir um nódulo de endometriose deve servir como um alerta para procurar um especialista e discutir planejamento reprodutivo, e não como motivo para perder a esperança.
O planejamento reprodutivo faz toda a diferença
Outro ponto muito importante é que o tratamento da endometriose não deve considerar apenas o controle da dor.
Quando existe desejo de engravidar, é essencial avaliar:
- Idade da paciente.
- Reserva ovariana.
- Qualidade das trompas.
- Localização dos nódulos.
- Presença de infertilidade do casal.
- Tempo de tentativa para engravidar.
Essas informações permitem definir se o melhor caminho será apenas o acompanhamento clínico, a cirurgia, técnicas de reprodução assistida ou uma combinação dessas estratégias.
Quanto mais cedo esse planejamento é realizado, maiores tendem a ser as possibilidades de preservar a fertilidade e escolher o tratamento mais adequado para cada caso.
Preciso operar um nódulo de endometriose?

Depois de entender que um nódulo de endometriose representa uma forma profunda da doença, muitas pacientes acreditam que a cirurgia será obrigatória. No entanto, essa conclusão não é correta.
Na endometriose, a decisão cirúrgica nunca deve ser baseada apenas no resultado do exame de imagem. O principal fator que orienta o tratamento é a combinação entre sintomas, impacto na qualidade de vida e objetivos da paciente.
Em outras palavras, existem mulheres com nódulos volumosos que apresentam poucos sintomas e conseguem excelente controle clínico, enquanto outras possuem lesões menores, mas sofrem com dores intensas ou infertilidade.
Por esse motivo, a presença de um nódulo isoladamente não significa indicação automática de cirurgia.
Quando o tratamento clínico pode ser suficiente?
Muitas pacientes com endometriose nodular conseguem controlar a doença com tratamento medicamentoso e acompanhamento periódico.
O objetivo da terapia clínica é reduzir a atividade hormonal da endometriose, diminuindo a inflamação e melhorando sintomas como cólicas, dor pélvica e dor durante as relações sexuais.
Quando a paciente apresenta boa resposta ao tratamento, mantém qualidade de vida e não possui desejo imediato de gestação, muitas vezes não existe benefício em indicar uma cirurgia naquele momento.
Nessas situações, o mais importante é manter seguimento com especialista e realizar exames de imagem periódicos para acompanhar a evolução da doença.
Essa estratégia evita procedimentos desnecessários e permite que uma eventual cirurgia seja indicada apenas quando realmente houver benefício clínico.
Quando a cirurgia para nódulo de endometriose é indicada?
Existem situações em que a cirurgia passa a ser a melhor alternativa de tratamento.
Entre as principais indicações estão:
Dor pélvica intensa que não melhora com tratamento clínico.
Infertilidade associada à endometriose.
Comprometimento importante de órgãos como intestino, bexiga ou ureteres.
Progressão das lesões durante o acompanhamento.
Prejuízo significativo da qualidade de vida.
Nesses casos, a cirurgia tem como objetivo remover completamente os focos de endometriose, aliviar sintomas e restaurar, sempre que possível, a anatomia normal da pelve.
Além disso, quando realizada por equipe experiente, a cirurgia pode proporcionar melhora importante da dor e, em pacientes selecionadas, aumentar as chances de gravidez.
Cirurgia para infertilidade: quando ela realmente faz sentido?
Um dos pontos mais importantes destacados pelo Dr. Vinícius é que a cirurgia para infertilidade deve ser cuidadosamente individualizada.
Ela costuma oferecer melhores resultados quando a endometriose parece ser o principal fator responsável pela dificuldade para engravidar.
Esse cenário geralmente inclui pacientes que apresentam:
- Idade reprodutiva favorável.
- Boa reserva ovariana.
- Trompas pérvias.
- Espermograma adequado do parceiro.
- Ausência de outros fatores importantes de infertilidade.
Nessas condições, estudos demonstram que a cirurgia para endometriose profunda pode proporcionar taxas de gestação espontânea bastante expressivas, chegando a aproximadamente 50% em alguns grupos de pacientes.
Por outro lado, quando existem outros fatores relevantes comprometendo a fertilidade, técnicas de reprodução assistida podem representar uma estratégia mais adequada.
Por esse motivo, a decisão entre cirurgia, fertilização in vitro ou tratamento clínico nunca deve seguir uma regra fixa. Ela depende da análise completa do casal, do histórico reprodutivo e dos objetivos da paciente.
Comparação prática: quando apenas acompanhar e quando pensar em cirurgia?
Ao receber o diagnóstico de um nódulo de endometriose, muitas pacientes acreditam que precisam decidir imediatamente entre operar ou não. Na prática, essa decisão é muito mais individualizada e depende do conjunto de informações obtidas na consulta, nos exames e dos objetivos de cada mulher.
De forma simplificada, podemos entender os principais cenários.
O acompanhamento clínico costuma ser a melhor opção quando:
Paciente com poucos sintomas.
Dor bem controlada com bloqueio hormonal.
Ausência de infertilidade.
Boa qualidade de vida.
Doença estável nos exames de acompanhamento.
Já a cirurgia passa a ser considerada quando existem:
- Dor intensa e persistente.
- Infertilidade relacionada à endometriose.
- Comprometimento de órgãos como intestino ou bexiga.
- Progressão das lesões.
- Impacto importante na qualidade de vida.
Essa comparação ajuda a entender que o tratamento não é definido apenas pelo tamanho do nódulo, mas principalmente pelo impacto que ele causa na vida da paciente.
O acompanhamento é fundamental mesmo sem cirurgia
Outro ponto importante é compreender que o fato de não operar imediatamente não significa abandonar o tratamento.
Pacientes com nódulo de endometriose devem manter acompanhamento periódico com ginecologista especializado, realizando consultas e exames de imagem conforme cada situação clínica.
Esse seguimento permite avaliar se a doença permanece estável, se surgiram novos sintomas ou se houve progressão das lesões, possibilitando mudar a estratégia terapêutica no momento adequado.
Além disso, mulheres que desejam engravidar no futuro também se beneficiam desse acompanhamento, pois o planejamento reprodutivo pode ser ajustado conforme idade, reserva ovariana e evolução da doença.
FAQ – Perguntas frequentes sobre nódulo de endometriose
Não necessariamente. Todo nódulo corresponde a uma forma de endometriose profunda, mas a gravidade depende da localização da lesão, dos sintomas e do comprometimento dos órgãos.
Não. Os nódulos costumam permanecer presentes. O tratamento clínico pode controlar a atividade da doença e aliviar os sintomas, mas não elimina a lesão.
Não. A cirurgia é indicada principalmente quando existem sintomas importantes, infertilidade ou comprometimento significativo de órgãos. Muitas pacientes conseguem ótimo controle apenas com tratamento clínico.
Sim. Muitas mulheres conseguem engravidar naturalmente ou após tratamento adequado. O prognóstico depende de fatores como idade, reserva ovariana e extensão da doença.
Pode. Em algumas pacientes a doença permanece estável, enquanto em outras pode haver progressão. Por isso, o acompanhamento periódico com especialista é essencial.
Dica de leitura complementar sobre Endometriose
Se você ainda tem dúvidas sobre a doença, clique aqui para ler o meu artigo guia completo sobre endometriose, onde explico de forma clara os sintomas, diagnóstico e todas as opções de tratamento.
Conclusão sobre nódulo de endometriose
Receber o diagnóstico de um nódulo de endometriose pode causar preocupação, mas é importante lembrar que esse achado não determina, por si só, a necessidade de cirurgia nem significa que a paciente perderá a fertilidade. O mais importante é compreender que todo nódulo representa uma forma profunda da doença e merece uma avaliação especializada para definir a melhor estratégia de tratamento.
Ao longo deste artigo, vimos que a decisão terapêutica depende principalmente dos sintomas, do impacto na qualidade de vida, do desejo reprodutivo e do comprometimento de outros órgãos. Enquanto muitas mulheres apresentam excelente controle apenas com tratamento clínico e acompanhamento periódico, outras podem se beneficiar da cirurgia para aliviar a dor, preservar a função dos órgãos acometidos ou aumentar as chances de gravidez.
Por esse motivo, cada caso deve ser analisado de forma individualizada. Quanto mais cedo a doença for avaliada por uma equipe experiente em endometriose profunda, maiores são as possibilidades de controlar os sintomas, planejar a fertilidade quando desejado e escolher o tratamento mais seguro e adequado para cada fase da vida.
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