Preparo Pré-Operatório de Cólon.
O intestino é o local onde estão as fezes e por vezes temos que manipulá-lo, como no caso de cirurgias como a endometriose e o câncer. Mesmo em cirurgias que não haverá manipulação direta, é interessante que estejam com o mínimo de conteúdo possível e com pouca distensão gasosa. A distensão das alças abdominais pode atrapalhar o campo cirúrgico, tornando-o mais restrito.
Recomendações para pacientes com CIRURGIA AGENDADA ENTRE 06:00-14:00
No dia anterior a paciente deve se abster de comer comidas pesadas como carne vermelha em excesso, carnes gordurosas, massas e pães. A alimentação deve primar por vegetais, frutas, carnes leves como peixe e frango e ingestão de muito líquido.
Paciente deve tomar um sachê de PicoPrep (medicação laxativa para preparo de colón) no dia anterior da cirurgia às 16:00 e o segundo sachê as 22:00.

Recomendações para pacientes com CIRURGIA AGENDADA ENTRE 14:00-20:00
No dia anterior a paciente deve se abster de comer comidas pesadas como carne vermelha em excesso, carnes gordurosas, massas e pães. A alimentação deve primar por vegetais, frutas, carnes leves como peixe e frango e ingestão de muito líquido.
Paciente deve tomar um sachê de PicoPrep (medicação laxativa para preparo de colón) no dia anterior da cirurgia às 22:00 e o segundo sachê as 06:00 do dia da cirurgia.
Alimentação Pré-Operatória.
Diferente do que se acreditava no passado, não é necessário jejum prolongado nem dietas extremamente restritivas antes da cirurgia colônica. O intestino se prepara melhor quando o corpo está nutrido e fortalecido, e não enfraquecido.

No dia anterior à cirurgia, estão liberadas refeições leves, com alimentos de fácil digestão, como:
- arroz branco,
- batatas,
- frango,
- ovos,
- massas simples,
- legumes bem cozidos.
Esses alimentos não prejudicam a cirurgia, não aumentam risco de complicações e ajudam o paciente a chegar ao procedimento em melhores condições metabólicas e nutricionais.
Devem ser evitados apenas:
- grandes volumes,
- alimentos muito gordurosos,
- frituras,
Refeições muito condimentadas ou pesadas.
Alimentação Pós-Operatória.
Após a cirurgia colônica, o intestino precisa de tempo e gentileza para retomar seu funcionamento. Aqui, o objetivo da alimentação não é testar limites, mas ajudar seu corpo a cicatrizar melhor e reduzir desconfortos como dor, gases e distensão abdominal.
Ainda no hospital
Assim que você despertar e estiver consciente é essencial que tome a unidade do Fresubin ou Nutren Fresh que trouxe de casa, garantindo um aporte nutricional precoce logo nas primeiras horas do pós-operatório.
A ingestão precoce dessas bebidas hipercalóricas melhora a resposta do organismo à cirurgia, reduz náuseas e contribui para uma recuperação mais rápida. Depois disso, a progressão para a dieta hospitalar costuma ser bem aceita, é só aguardar a chegada da refeição do hospital.
Em casa: dieta pastosa até o retorno
Até a consulta de retorno e retirada dos pontos, a orientação é manter uma dieta pastosa ou de consistência macia, mesmo que você esteja se sentindo bem. Quando falo em dieta pastosa, estou me referindo a qualquer alimento que possa ser facilmente amassado com uma colher, sem exigir esforço importante para mastigar.

Isso inclui uma grande variedade de alimentos, como carnes bem cozidas (carne de panela, carne moída, frango bem desfiado), feijão bem cozido e amassado, arroz bem cozido, massas simples bem macias, ovos em preparações simples, tubérculos cozidos (batata, batata-doce, mandioquinha, inhame), pães macios, de preferência sem casca dura, legumes bem cozidos, frutas sem casca ou amassadas (banana, mamão, melão, manga), além de iogurtes, coalhadas, mingaus e preparações cremosas.
Nesse período, a ingestão adequada de proteínas é fundamental para a cicatrização dos tecidos, recuperação muscular e bom funcionamento do sistema imunológico. Por isso, priorize carnes bem cozidas e desfiadas, ovos, leite e derivados, leguminosas como feijão e lentilha bem cozidos e, se necessário, os suplementos nutricionais que indicamos.

E é essencial também ingerir bastante água, ao menos 3 L por dia, isso ajuda na formação e amolecimento do bolo fecal. A constipaçào é muito comum e cheque no “Manual de Pós Operatório” as medidas e seguimento que vamos tomar.
Funcionamento no Pós-Operatório
Após a cirurgia colônica, é importante você saber exatamente o que esperar do funcionamento do intestino e das dores nessa região. O intestino é o órgão que mais demora a se recuperar após a cirurgia, e isso é absolutamente normal.
A dor abdominal e pélvica no pós-operatório é esperada. Apesar dos cortes na pele serem pequenos, por dentro houve manipulação importante dos órgãos, inflamação e cicatrização em andamento. Essa dor pode variar de intensidade ao longo dos dias, melhorar em alguns momentos e piorar em outros, especialmente no final do dia ou após evacuar. Essa oscilação faz parte do processo normal de recuperação e, na maioria das vezes e não significa nenhuma complicação.
A constipação intestinal é extremamente comum após cirurgias colônicas. Ficar vários dias sem evacuar, inclusive até 5 a 7 dias, é algo frequente e não é sinal de urgência. Um dos principais motivos dessa constipação é o medo de fazer força para evacuar. É importante você saber que a força feita para evacuar não arrebenta pontos, não abre a cirurgia e não prejudica a cicatrização interna. Esse receio é comum, mas infundado, e muitas vezes acaba piorando ainda mais a constipação.

Além disso, gases e sensação de distensão abdominal são muito comuns. É frequente a sensação de barriga inchada, estufamento ao longo do dia e desconforto com a movimentação dos gases. Esses sintomas podem persistir por semanas e fazem parte da adaptação do intestino após a cirurgia.
Reforçando de forma clara: dor controlável com medicação, constipação, gases, distensão abdominal e desconforto ao evacuar não são sinais de emergência no pós-operatório de cirurgia colônica. O esperado é que esses sintomas melhorem de forma lenta e progressão.
Se você é uma paciente que já tem passado de constipação, já pode iniciar desde o primeiro dia em casa o uso do óleo mineral em todas refeições. Para mais informações, cheque a seção correspondente no “Manual de Pós-Operatório.”
Bolsa de Colostomia
Uma dúvida muito comum antes da cirurgia colônica é sobre a possibilidade de necessidade de colostomia (uso de bolsa). É importante falar sobre isso de forma clara, objetiva e sem alarmismo.

Na literatura médica, a chance de necessidade de colostomia em cirurgias colônicas eletivas gira em torno de 2 a 4%. Ou seja, mesmo considerando grandes séries e diferentes centros, trata-se de uma complicação pouco frequente.
Na nossa prática, com a equipe do Dr. Vinícius, essa taxa tem sido ainda menor. Nos últimos anos, a necessidade de colostomia tem ficado abaixo de 1% ao ano, refletindo critérios rigorosos de indicação cirúrgica, técnica adequada e acompanhamento pós-operatório próximo.
É fundamental esclarecer que a colostomia, quando necessária, não acontece no primeiro momento da cirurgia. A cirurgia é sempre realizada com o objetivo de reconstrução intestinal completa, sem bolsa. A colostomia só é considerada em um cenário específico: a ocorrência de uma complicação chamada deiscência da anastomose, que é a abertura da emenda do intestino no pós-operatório.
Mesmo nesse contexto, a colostomia não é automática e só é indicada quando há risco à saúde do paciente, como infecção ou sofrimento importante do intestino. Ela é uma medida de proteção e segurança, nunca uma falha da cirurgia ou da recuperação.

Reforçando: a chance de precisar de colostomia é baixa, a chance na nossa equipe é ainda menor, e quando ocorre, está associada a uma complicação específica e rara, nunca sendo algo planejado ou realizado de rotina durante a cirurgia inicial.
A colostomia também é temporária, quando acontece o raro evento de sua necessidade, também é temporária acontecendo sua reversão cerca de 3 meses após sua instalação.
Na dúvida, converse conosco. Informação clara diminui ansiedade e faz parte do cuidado.
Sinais de Alarme
Os sinais de alarme, e muitas outras informações relevantes, estão no Manual de Pós-operatório que deve ser lido com bastante atenção e em conjunto com esse que é apenas um apêndice específico para alguns detalhes da Cirurgia Intestinal.


